Dirceu diz que governos anteriores falhavam no combate ao tráfico

Durante palestra a servidores públicos no Palácio do Planalto, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse que o governo federal não vinha, nas gestões anteriores, assumindo sua responsabilidade no combate ao crime organizado e ao narcotráfico, porque eles se "infiltraram nas instituições políticas do País". Dirceu garantiu, porém, que o atual governo vai enfrentar o problema. "Doa a quem doer, como é o caso que estamos enfrentando, agora, em vários Estados brasileiros", acrescentou, completando, enigmaticamente: "para o bom entendedor, meia palavra basta".As declarações do chefe da Casa Civil vieram no momento em que a Polícia Federal prendeu o ex-governador de Roraima, Neudo Campos, e investiga o atual governador, Flamariom Portela, recém filiado ao PT. Em vários Estados também foram presos juízes, afastados desembargadores e feitos flagrantes de policiais que transformaram delegacias em sucursais do crime.Ao responder a perguntas de servidores que participavam do projeto Fórum do Planalto, Dirceu também reiterou a posição contrária do governo à redução da maioridade penal, mas defendeu mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente e a reeestruturação das instituições que abrigam menores infratores. Segundo Dirceu, o sistema prisional brasileiro, assim como "as Febens da vida", se transformaram "em uma fábrica de delinqüentes e criminosos". "Eu sou daqueles que defendem que o Estado tem uma mão dura, pesada, organizada, centralizada contra o crime organizado, contra o narcotráfico. Comigo não tem acordo. Mas não acredito que só isso resolva qualquer problema no País", ressalvou Dirceu. Para ele, é preciso pensar em políticas sociais, culturais e de emprego. O ministro defendeu também a expansão do ensino profissionalizante. ?Temos um problema gravíssimo que é o ensino médio, de segundo grau e precisamos expandir, profissionalizar, sem perder o caráter universal e (sic) humanístico em si, profissionalizar para incorporar milhões de jovens à cidadania e à escola, à cultura, ao esporte, à vida comunitária", afirmou Dirceu. Para ele, "o País, a sociedade, precisa formar consciência de que é preciso fazer uma revolução social, incorporar esses milhões de deserdados, porque senão não vamos a lugar nenhum".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.