Dirceu diz que presidente sairá de cena para dar autonomia a Dilma

O ex-ministro José Dirceu afirmou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá sair de cena a partir de 1º de janeiro para dar autonomia à presidente eleita Dilma Rousseff. "Ele vai se recolher. Ele tem um papel no mundo, vai continuar viajando, ajudando os partidos de centro-esquerda no mundo a crescer."

Daiene Cardoso AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2010 | 00h00

Entre os papéis que devem ser desempenhados por Lula, além de "conselheiro" de Dilma, Dirceu disse acreditar que ele se dedicará a uma fundação própria, atenderá a demandas do exterior por sua "experiência" como ex-presidente e se ocupará da implementação da reforma política.

"Nós já temos uma ideia do que ele será como ex-presidente", disse, lembrando o comportamento de Lula ao deixar a presidência nacional do partido, em 1995. "Ele saberá encontrar seu papel", concluiu.

Falando de Portugal por telefone, Dirceu manifestou confiança na liderança de Dilma. "Ela vai ter firmeza para tomar decisões com equilíbrio e diálogo", previu. Ele aproveitou para criticar a oposição ao comparar os discursos do presidente americano Barack Obama, derrotado na eleição parlamentar, e dos tucanos, derrotados na disputa presidencial. Para Dirceu, faltou humildade ao PSDB em "estender a mão" aos vitoriosos, como fez Obama ontem.

Sobre a possibilidade de Antonio Palocci ocupar a Casa Civil, Dirceu negou que se oponha à nomeação do colega de partido para a função. "Palocci é importante em qualquer função. Ele tem competência e capacidade política."

Réu no processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), ele disse que nos últimos cinco anos longe de cargos públicos não se afastou do meio político e reclamou de ter sido transformado em "bandido". "Espero que o Supremo me julgue segundo os autos. Sou inocente e sei que não há nada nos autos que me leve à condenação."

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