Dirceu e Palocci já duelam por espaço em eventual governo

Ex-deputado disse a amigos que fará 'tudo' para impedir que o ex-chefe da Fazenda seja nomeado para Casa Civil

Wilson Tosta do Rio, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2010 | 00h00

O crescimento da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, nas pesquisas fez ressurgir no PT uma briga que marcou os três primeiros anos do governo do presidente Lula e opôs os então ministros Antônio Palocci (Fazenda) e José Dirceu (Casa Civil).

Agora envolvidos na campanha presidencial, Palocci e Dirceu voltam a demarcar território no campo petista e emitem sinais de que o confronto entre os dois será retomado se Dilma vencer. O ex-ministro da Fazenda é coordenador da campanha petista, na qual o ex-chefe da Casa Civil tem atuado nos bastidores.

Dirceu já disse a amigos que fará "tudo" para impedir que Palocci seja nomeado para a Casa Civil do novo governo. Não quer a volta ao governo do que, para ele, foi a visão fiscalista que marcou o início da gestão de Lula, quando a prioridade era economizar recursos para pagar a dívida pública.

Os dois desempenham papéis importantes na campanha. Atribui-se ao ex-chefe da Casa Civil a solução de situações embaraçosas para Dilma, como montagem de alianças regionais e a operação de desarme da crise do dossiê contra o tucano, José Serra. Palocci é uma das pontes de Dilma com o empresariado, que o vê como "fiador" da confiabilidade da candidata e de freio a supostas pretensões de petistas tidos como radicais e socializantes.

Tanto Dirceu como Palocci perderam seus cargos após escândalos em 2005 e 2006. O ex-ministro da Casa Civil deixou o cargo e teve o mandato de deputado cassado pela Câmara sob acusação de envolvimento no mensalão, esquema de compra de votos no Congresso que gerou processo criminal tramitando no Supremo Tribunal Federal. Já o ex-ministro da Fazenda perdeu o posto depois de ter sido acusado de ligação com a quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa.

Incor. Dirceu foi internado na terça-feira no Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, para passar por bateria de exames, incluindo um cateterismo. Ele recebeu alta anteontem. Segundo pessoas próximas, foi uma avaliação de rotina. / COLABOROU GUSTAVO URIBE

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