Dirceu pede apoio da mídia para reformas

Ex-ministro acredita que Lula ajudará a negociar com partidos reformas[br]política, tributária e administrativa

Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2010 | 00h00

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu disse contar com o apoio da mídia para a votação das reformas política, tributária e administrativa, apontadas por ele como prioridade do governo Dilma Rousseff. Convidado do programa Roda Viva, levado ao ar ontem pela TV Cultura, Dirceu acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa ajudar Dilma nas negociações com partidos. Dono de forte influência sobre parte do PT, o ex-ministro esteve na festa da vitória de Dilma e assistiu da plateia ao primeiro discurso dela após a eleição.

"Nesse primeiro ano, ela vai precisar se esforçar muito para fazer essas reformas", disse Dirceu, apostando na "enorme colaboração" do presidente Lula. Para ele, a mídia jogará um "papel importante" nesse processo. "Já que tiveram papel de destaque na transparência do processo eleitoral, nas denúncias dos vícios da compra de voto, do caixa 2, em tudo, agora seria importante que os meios de comunicação assumissem a reforma política como questão prioritária."

O mesmo Dirceu que pediu a cooperação da mídia atacou a imprensa em diversas ocasiões nos últimos anos. "A mídia brasileira precisa ser regulamentada, democratizada. No mundo inteiro foi assim, menos no Brasil", disse, em maio de 2009. Em setembro deste ano, sindicalistas presentes a uma palestra do ex-ministro na Bahia disseram que ele tinha criticado "o monopólio das grandes mídias, o excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa", fato negado depois por Dirceu.

Ontem o ex-ministro identifica na Câmara o principal obstáculo no caminho da reforma política. Ele acredita que os deputados resistem a um novo modelo. "O financiamento público (passará) com apoio da sociedade."

Quanto à reforma tributária, Dirceu afirmou que a proposta ficou empacada este ano principalmente por causa de São Paulo, que se recusou a votá-la. Ele considerou mais fácil o desafio da reforma administrativa. "Não precisa nem de legislação. Com exceção dessa questão dos cargos de confiança, dos planos de carreira, vai ser fácil passar."

Sobre a composição do primeiro escalão do governo e o espaço a ser ocupado pelo PMDB, Dirceu minimizou a pressão dos partidos sobre Dilma por cargos na administração. "Como nós já fizemos (montar equipe de governo) duas vezes, temos experiência. E ela participou de 2003 a 2007 das negociações de todos os projetos mais importantes do governo. Tem uma longa experiência de trabalhar com líderes, bancadas e partidos políticos."

Não há, para Dirceu, "incompatibilidade grave" na montagem do novo governo. "O PMDB é o segundo partido na Câmara e o primeiro no Senado. Evidentemente terá peso correspondente a isso e à importância do partido, que indicou o vice. Agora, quem vai decidir como, quando e quanto é ela só, a presidenta."

O petista afirmou que o PT errou ao financiar campanhas com caixa 2, mas em nenhum momento admitiu a existência do mensalão. Disse que hoje trabalha como advogado e consultor de empresas do Brasil e do exterior. "Sou eu que pago todas as minhas despesas." Afirmou ainda ter pouco contato com Lula. "Minha relação com o presidente é boa. Ele tem sido solidário comigo. Mais do que eu mereço."

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