''Direita tenta dar golpe a cada 24 horas'', diz Lula

Durante comício da petista Dilma Rousseff em Porto Alegre, presidente também manteve a 'elite brasileira' como alvo preferencial de suas críticas

Evandro Fadel / CURITIBA, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, garantiu ontem (30) à noite a cerca de 400 empresários reunidos pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) que o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continuará financiando empreendimentos a longo prazo, caso seja eleita. "Uma das realizações da área industrial foi ter clareza de que tudo o que podia ser fabricado no País seria feito", disse. "Levarei às últimas consequências como o presidente Lula levou.'' Mas, segundo ela, isso não acontecerá se o crédito não for de longo prazo. ''E quem dá esse crédito é o BNDES'', acentuou, sob aplauso dos empresários. Dilma não perdeu oportunidade de criticar o governo anterior, em que, de acordo com ela, o máximo eram cinco anos. ''Hoje emprestamos por 30 anos, com TJLP e não taxa de mercado.'' Dilma acentuou novamente que pretende fazer grandes investimentos no setor de educação, particularmente no ensino técnico.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também participou do evento Encontro com os Presidenciáveis, e hoje estará em comício no centro de Curitiba, reclamou do Congresso Nacional por não ter promovido a reforma tributária, apesar de ele e de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, terem levado propostas. ''Quando se trata de reforma tributária tem um inimigo oculto no Congresso Nacional'', afirmou. ''Quando chega no Congresso Nacional, as forças que querem, intrinsecamente não querem porque cada um quer resolver o seu problema e não o problema do Brasil.

Em Porto Alegre, no primeiro comício de Dilma, o presidente Lula - como seu principal cabo eleitoral - disparou ataques à "elite brasileira" e disse que "a direita tenta dar golpe a cada 24 horas neste país". Também participou do evento o candidato do PT ao governo gaúcho, Tarso Genro.

"A elite brasileira não sabia o que era capitalismo. Foi necessário um metalúrgico entrar na Presidência para ensinar como se faz capitalismo", afirmou Lula durante o evento, realizado anteontem à noite no ginásio Gigantinho, que reuniu cerca de 12 mil participantes. "Foi esse metalúrgico que chamou o presidente do FMI e disse: "Estamos cansados de gritar fora FMI.""

O presidente emendou: "A esquerda pensa que sabe fazer oposição. A esquerda pensa que sabe fazer barulho. Mas foi no governo que nós aprendemos que, se a esquerda faz oposição, a direita tenta dar golpe a cada 24 horas neste país."

Lula também manteve a elite como alvo de suas críticas. "É a mesma elite que levou Getúlio (Vargas) a dar um tiro no coração, que matou Jânio Quadros e levou João Goulart a renunciar", discursou. "Eu disse a essa elite que não estarei no gabinete lendo o jornal de vocês, mas na rua com o povo brasileiro."

Ele reafirmou seu apoio à presidenciável petista e ao candidato ao governo do Rio Grande do Sul. "Os meus adversários fazendo de tudo para eu não aparecer na TV. Agora eles vão ver minha cara na TV muitas vezes pedindo voto para a Dilma e para Tarso." Essa foi a terceira visita que Lula fez ao Rio Grande do Sul desde o início deste ano.

A presença de Lula e Dilma no palanque de Tarso criou certo desconforto entre lideranças estaduais do PMDB e do PDT, dois partidos aliados do Planalto no âmbito nacional. Apesar de manter a neutralidade em relação a quem apoiará na corrida presidencial, o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça (PMDB), candidato a governador, contava ser o segundo palanque de Dilma no Estado.

Quando Lula subiu no palco do Gigantinho, estava acompanhado de Dilma, Tarso, do candidato a vice-governador gaúcho, Beto Grill (PSB), e do ex-governador Olívio Dutra, além dos dois nomes que integram a chapa ao Senado: Paulo Paim (PT) e Abigail Pereira (PCdoB).

No discurso, que durou mais de oito minutos, Tarso repetiu que, no Rio Grande do Sul, Dilma possui apenas um palanque. "Fui ministro durante sete anos e o presidente sabe reconhecer os seus valores e reafirmar o seu projeto. Ele sabe que aqui quem vai fazer isso é a Unidade Popular pelo Rio Grande."

Dilma dançou ao som do seu jingle e tentou tomar chimarrão: "Ganhamos um chimarrão, mas tem um pequeno problema. Ele só tem erva. Vamos providenciar a água." Depois disso, discursou: "Tenho a honra de dar continuidade a esse governo e avançar. A dar educação de qualidade, que não é tratar a professora a cassetete, mas tratar bem os professores. Somos de um tipo diferente: quando falamos que vamos fazer, fazemos. Não prometemos só em épocas eleitorais."

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