Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Suplicy explica participação em encontro islâmico em São Paulo

Vereador rebate artigo publicado no blog 'Conto de Notícia' e afirma que nunca incentivou a violência contra judeus

Eduardo Suplicy*, vereador

03 Agosto 2017 | 11h20

Em seu blog "Conto de Notícia", publicado no Estadão.com.br, o médico e escritor Paulo Rosenbaum escreve um artigo com graves distorções e inverdades sobre a minha presença em evento em que esteve presente o aiatolá dr. sheik Mohsen Araki, secretário-geral da Assembleia Mundial para a Aproximação entre as Escolas Islâmicas de Pensamento.

O evento, de maneira diferente do que afirmou Paulo Rosenbaum, foi organizado pelo imã do Centro Islâmico no Brasil, sheikh Taleb Hussein Al-Khazraji. Em nenhum momento eu ou o PT fomos os organizadores do "Encontro islâmico: os muçulmanos e o enfrentamento ao terrorismo e ao radicalismo" - muito menos a minha participação no evento se constituiu em qualquer apoio a atos de violência, terrorismo ou guerra. Ao contrário, as pessoas que me conhecem, inclusive da comunidade israelita, sabem o quanto, ao longo de toda minha vida, defendi que as transformações que desejamos para o Brasil e em todos os países do mundo devem sempre ser caracterizadas pelos meios da não violência.

Estive presente no lançamento do livro de meus amigos Heródoto Barbeiro e Frei Beto, O Budista e o Cristão - Um Diálogo Pertinente, em debate mediado pelo brilhante jornalista Ricardo Kotscho no dia 1º de julho, no Itaú Cultural. Um dos principais temas levantados foi como o budismo e o cristianismo, por meio sobretudo de figuras como o Dalai Lama e o papa Francisco, tanto proclamavam a importância de se realizar a justiça e assim se obter a paz. Eu justamente expressei a minha vontade de compreender melhor quais as razões que levam organizações como o Estado Islâmico a realizar atos terroristas, que têm causado a morte de pessoas inocentes, inclusive de crianças, nos mais diversos lugares do mundo.

No evento observei que consideraria muito importante que, em meio a essas organizações, surgissem pessoas que tivessem a qualidade de líderes como Mahatma Gandhi e Martin Luther King Jr., que, seguindo recomendações de Leon Tolstoi, souberam organizar ações não violentas, inclusive de desobediência civil, grandes marchas e greves de fome que comoveram os povos e os levaram a conquistar a independência da Índia e os direitos civis iguais para negros, brancos e pessoas de todas as raças e direitos iguais de votação nos Estados Unidos da América.

Ao tecer estes comentários, Heródoto Barbeiro disse a mim que eu poderia justamente assistir a aquele Encontro Islâmico para o qual então fui convidado. Informo que não conhecia a organização que me convidou, nem o aiatolá Araki. Compareci ao evento para conhecer melhor o pensamento islâmico. Diversos oradores falaram representando as mais diversas entidades. A ênfase da maioria foi justamente como caminhar rapidamente para a paz no mundo. Quando convidado para falar eu justamente mencionei a importância de se seguir os valores e recomendações de pessoas como Mahatma Gandhi e Martin Luther Jr. - sempre confrontar a força física com a força da alma.

Se Paulo Rosenbaum consultar meus pronunciamentos e minhas ações ao longo de minha vida política, observará que sempre propugnei para que pudessem se construir a paz entre Israel e a Palestina. Como senador, fui convidado três vezes para visitar tanto Israel e a Palestina, a primeira vez por iniciativa do rabino Henry Sobel, o qual me proporcionou a oportunidade de encontrar Shimon Peres, Leah Rabin, viúva de Yitzhak Rabin, e Yasser Arafat. Noutra ocasião, em missão de diversos senadores visitei o parlamento e ministros de Israel como de autoridades palestinos.

Na terceira vez, convidado pela Autoridade Palestina para assistir em Belém à missa de Natal, na Igreja da Natividade, onde nasceu Jesus, também recebi o convite dos sacerdotes franciscanos para jantar com as autoridades palestinas. Na ocasião, fiz as seguintes sugestões para promover a paz entre israelenses e palestinos: primeiro, que sejam organizados dois jogos de futebol entre a seleção brasileira e a seleção mista de Israel e da Palestina, um em cada capital - Tel Aviv e Jerusalém Oriental, ou Ramallah (centro administrativo); segundo, a instituição de um fundo comum decorrente de parte das receitas que ambos países obtém ao receberem turistas de todo mundo, com o qual se financiaria uma Renda Básica de Cidadania igual para todos os seus habitantes. Ao visitar Israel, também falei da proposta. Em geral, as pessoas acharam muito boas a sugestões.

Nas inúmeras vezes em que conversei e fiz palestras para comunidades de judeus e de árabes em São Paulo, sempre ressaltei que o Brasil era um exemplo de como os dois povos podem interagir positivamente, como aqui vemos nas universidades, nos institutos de pesquisa, em hospitais como o Albert Einstein e o Sírio Libanês, no comércio em bairros como o Brás, a Bela Vista, o Bom Retiro e tantos outros.

Portanto, trata-se de inverdade gravíssima, uma vez que o artigo foi escrito com a colaboração do deputado federal licenciado Floriano Pesaro (PSDB-SP), que atualmente é secretário estadual de Desenvolvimento Social do governo Geraldo Alckmin - e que obviamente sabe das coisas do governo do Estado. Além do mais, em nenhum momento eu solicitei que integrantes da Guarda de Honra do Estado de São Paulo, coordenada pela Casa Militar do Palácio dos Bandeirantes, estivessem ali se revezando durante o evento.

Desta forma, Paulo Rosenbaum, esteja certo de que sempre continuarei a pregação da instituição dos instrumentos que signifiquem a aplicação dos princípios de justiça e assim promover a diminuição da criminalidade, da violência e da guerra. Recomendo que leia o meu livro, Renda de Cidadania. A Saída é pela Porta - 7ª. Edição (2013) Editora Fundação Perseu Abramo e Cortez Editora.

*EDUARDO MATARAZZO SUPLICY É VEREADOR DE SÃO PAULO

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