Direto de Brasília

Fim de parceria histórica

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2010 | 00h00

O voto é secreto e a fé é vida interior, portanto é impossível prever o resultado da recomendação da CNBB ao eleitor católico para que vote em "pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana".

Mas o PSDB acredita que a orientação pode influir no espírito do eleitor católico fiel à Igreja e comemora sem estardalhaço o manifesto dos bispos, porque os pontos vetados pela CNBB, na ótica do partido, não podem ser dissociados da candidata Dilma Rousseff - afinal eles constam do Plano Nacional de Direitos Humanos, produzido no governo do qual fez parte e cuja continuidade representa.

O enunciado é uma clara tomada de posição contra bandeiras caras à esquerda, como o direito ao aborto, ao casamento entre homossexuais e à adoção de crianças pelos mesmos. Representa um divisor de águas numa parceria histórica entre a ala progressista da Igreja e o PT.

Católico, Serra não pretende tratar desses temas por achar que cabe ao Congresso e, por extensão, à sociedade examiná-los. Mas já fez profissão de fé contra o aborto e declarou-se católico em diversas ocasiões.

O casamento Igreja-PT produziu bons resultados à época em que a parceria se justificava e quando os conflitos entre as agendas cristã e marxista podiam ser evitados. "Foi bom enquanto durou", sintetiza um parlamentar petista.

Aécio pede tempo

O ex-governador Aécio Neves telefonou para importante líder tucano pedindo que fizesse chegar ao candidato José Serra um recado para que espere seu retorno do exterior antes de tomar qualquer decisão sobre o nome de seu vice. O recado foi entendido como um sinal claro de que ele reavalia a posição de concorrer ao Senado e pode voltar atrás na recusa de compor a chapa puro-sangue sonhada pelo PSDB.

DEM vai a Serra

Apesar do pedido de Aécio, a Executiva Nacional do DEM aprovou a ida de uma comissão do partido até Serra para marcar posição em relação ao lugar de vice do candidato tucano. O partido não vai brigar pelo lugar, mas considera importante manifestar-se para estabelecer uma linha direta com o candidato. Alguns parlamentares do DEM não têm interlocução com Serra e fazem articulações à revelia do tucano. O encontro tem o objetivo de aparar arestas e dispensar intermediários. "Não faz sentido terceirizar a conversa", afirma um parlamentar.

É o custo-benefício, estúpido

A oposição está convicta de que o PT já chegou à conclusão de que é positiva a relação custo-benefício das desobediências eleitorais. A punição demora - e é barata. O que são R$ 25 mil de multa diante do oceano de recursos da campanha? Para contraditar o programa que o PT levou ao ar anteontem, o PSDB terá de esperar até 17 de junho, quando faz o seu. E, mesmo assim, a legislação não permite que todas as respostas sejam dadas. Não obstante, os tucanos não parecem animados a reclamar no TSE: acham que a legislação já foi desmoralizada por Lula e o efeito da infração é irreversível.

Impasse no Paraná

O candidato do PDT no Paraná, Osmar Dias, está enlouquecendo aliados e adversários com a indecisão sobre sua candidatura. Agora, ele considera a possibilidade de se aliar ao líder nas pesquisas, Beto Richa (PSDB), disputando o Senado.

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