Direto de Brasília

Serra reforça base regional

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2010 | 00h00

Feito o acordo, o PSDB prepara a fatura política a ser apresentada ao DEM. Com vice definido e com as pesquisas reafirmando sua competitividade, o candidato José Serra vai cobrar engajamento do principal aliado em todo o País, em busca de mais organicidade na campanha.

Nesse contexto, a palavra-chave é militância, no lugar do apoio meramente formal e burocrático que vinha caracterizando o comportamento do aliado.

Serra foi aconselhado a criar comitês estaduais que garantam recursos e suporte político à base da aliança, reduzindo o risco de ter candidatos dosando o empenho na crítica ao governo federal.

A providência facilitaria a administração de uma política pragmática que submeta as conveniências regionais ao projeto nacional, aspecto em que a aliança PT-PMDB exibe notória dianteira.

A dificuldade de encontrar um discurso crítico que , sem negar a bonança econômica, convença o eleitor da necessidade de mudança, é extensiva aos candidatos estaduais, cujo instinto de sobrevivência fala mais alto.

O PSDB avalia que, até aqui, o excesso de cuidado com Lula transformou-se em reverência. Não se deve fazer uma campanha anti-Lula, mas daí a adotar um discurso inócuo de oposição vai uma grande distância, resume um integrante da campanha.

Essa estratégia exige administração direta do candidato, ou da cúpula partidária, e os comitês seriam o instrumento dessa proximidade permanente.

"Não tinha jeito, ou a gente aderia, ou fazia oposição"

(José Eduardo Dutra, presidente do PT, sobre o drama do partido ante o sucesso do Plano Real)

"Ininquadrável"

Com o fim das convenções, e definida a geografia política das campanhas, o conselho político de Dilma Rousseff (PT) reúne-se amanhã para definir sua presença nos palanques e nas gravações para aliados no rádio e na TV. Ela vai fazer tudo o que puder, "mas o presidente Lula é ininquadrável", diz José Eduardo Dutra, presidente do PT. E avisa: "Lula só vai colocar sua popularidade a favor de quem ele quiser."

Oposição ao êxito

Ainda do presidente do PT, ao comentar o momento da campanha de José Serra: "A situação deles hoje é um pouco como a nossa em 1994. Temos um governo muito bem avaliado, como era o de Fernando Henrique Cardoso, no auge do Plano Real. Não tinha jeito, ou a gente aderia, ou fazia oposição."

A Carta de Serra

José Serra terá a sua Carta aos Brasileiros, em defesa das conquistas sociais de FHC e de Lula. É o antídoto contra a campanha do PT que lhe atribui a intenção de revogá-las.

Nem tão amigos

A versão do PSDB para a troca de Álvaro Dias por Índio da Costa como vice de Serra é de que o primeiro saiu porque seu irmão, Osmar, o traiu e ao partido, inviabilizando a estratégia tucana no Paraná ; e que seu sucessor foi escolha pessoal de Serra, à revelia da família Maia - Cesar e o filho Rodrigo, presidente do DEM - que estariam rompidos com o deputado.

Sem vice

Com a filiação suspensa pela direção nacional, o presidente do PMDB de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira, manteve a candidatura a vice na chapa do senador Raimundo Colombo (DEM), para reeditar a tríplice aliança DEM, PSDB e PMDB que comanda o Estado há anos. Amanhã, o TRE decide se nega o registro de Moreira, como pede o PMDB, hipótese que deixaria o DEM sem vice.

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