Diretor autoriza celular em penitenciária Feminina de SP

O telefone celular entra livremente na Penitenciária Feminina Sant´Ana, no Carandiru, Zona Norte da Capital, nas mãos de representantes e funcionários de empresas prestadoras de serviços. A Agência Estado teve acesso a três listas com os nomes de 32 pessoas autorizadas a ingressar na unidade com seus aparelhos móveis. Mas, segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP ), a autorização vale apenas para cinco pessoas: a diretora-geral e quatro coordenadores da Organização Não-Governamental (ONG) que administra o presídio.Nessa mesma unidade, sete presas se reuniram com autoridades da SAP na sala da diretoria geral e negociaram o fim da rebelião no presídio, no último dia 20. Duas presas portavam telefones móveis. Elas ligavam e atendiam ligações de chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC) presos numa penitenciária do Interior. Eles passavam as orientações para o pedido de reivindicações. As exigências eram retransmitidas aos representantes da SAP. Um deles até falou com os presos no celular de uma detenta.Segundo o presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (SIFUSPESP), João Rinaldo Machado, 40 anos, a entrada de celulares é proibida em todas as unidades prisionais do Estado: "Ninguém pode entrar com celular nos presídios. É ilegal. Se nós, agentes de segurança penitenciários, não podemos entrar com telefone móvel no sistema prisional, outras pessoas também não podem. Essa medida tem de valer para todos, inclusive para prestadores de serviços e coordenadores de ONGs", argumentou.Machado explicou que a autorização para a entrada de telefones celulares nos presídios, principalmente para prestadores de serviços terceirizados, pode comprometer a segurança na Penitenciária Feminina Sant´Ana "Essas pessoas autorizadas a entrar com telefone na unidade têm acesso às presas. Quem pode garantir que esses aparelhos não vão parar nas mãos das detentas?", indagou o presidente do SIFUSPESP.Das três listas com os nomes de 32 pessoas autorizadas a entrar com celular na Penitenciária Feminina Sant´Ana, uma foi assinada pelo diretor substituto da unidade, Alex Herbela Eziliani. Essa relação, com data de 7 de fevereiro, tem 26 nomes e foi repassada para a diretoria do núcleo de portaria. A segunda lista, feita pela Associação de Proteção e Assistência Carcerária (Apac) no último dia 15, autoriza a entrada de duas pessoas. A terceira relação tem os nomes de quatro engenheiros autorizados a entrar com telefones celulares no presídio feminino.Ainda segundo Machado, na Penitenciária Feminina de Sant´Ana não há como fazer o controle rigoroso das pessoas beneficiadas com a entrada de celulares. "Esse trabalho é inviável. Não temos funcionários suficientes para essa tarefa. Além disso, como poderemos saber se a pessoa que entrou com o telefone celular saiu mesmo com o aparelho. A revista não é feita na saída", ressaltou o sindicalista.Em nota divulgada hoje, a Secretaria da Administração Penitenciária informou que "as únicas pessoas autorizadas a entrar na unidade são a diretora-geral, o gerente e os coordenadores da ONG Apac. O documento da SAP diz ainda: "Além das pessoas que fazem parte da administração do estabelecimento penal, ninguém mais está autorizado a entrar no recinto portando telefone celular."Sindicato diz que presas tinham 12 celulares na última rebeliãoO diretor do SIFUSPESP, Luís da Silva Filho, disse ter contado pelo menos 12 telefones celulares com as presas na rebelião do dia 20 na Penitenciária Feminina de Sant´Ana. O motim deixou oito funcionárias da unidade feridas. Uma delas foi muito agredida, sofreu fratura na bacia e teve de ser internada no Hospital do Servidor Público Estadual.No dia seguinte à rebelião, as funcionárias foram novamente ameaçadas e se recusaram, por falta de segurança, a fazer uma blitz na unidade para procurar telefones celulares e eventuais armas. As agentes penitenciárias solicitaram o apoio do Grupo de Intervenção Rápida (GIR) - unidade criada pela SAP para conter motins e tumultos em presídios - para auxiliar nos trabalhos de varredura.Mas, segundo o SIFUSPESP, a diretoria da penitenciária e os responsáveis pelo GIR decidiram que homens do grupo de intervenção não iriam entrar na unidade para auxiliar as funcionárias na blitz. Ainda de acordo com o SIFUSPESP, integrantes do GIR tentaram expulsar representantes do sindicato, que foram chamados à unidade para ajudar a garantir a integridade física das agentes.Além da funcionária que teve a bacia fraturada, outra agente foi obrigada a beber solvente por um grupo de rebeladas. Na blitz, horas após o fim da rebelião, apenas dois telefones celulares foram encontrados com as detentas.

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