Diretor da Air France vem a público e questiona elo entre sensores e a queda

Irritado com o assédio da imprensa e com as críticas que começam a ganhar espaço, o diretor-geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, veio a público afirmar que "não está convencido" de que os sensores de velocidade (pitot) tenham causado a tragédia. A pressão sobre a companhia vem crescendo com o aprofundamento das informações sobre o caso. Desde que o Estado publicou o conteúdo das mensagens automáticas enviadas entre as 23h10 e 23h14, novas dúvidas sobre a eficácia dos sensores se sucedem.Ontem, o Estado mostrou que documentos da Direção Geral de Aviação Civil (DGAC) da França indicavam, já em 2002 e 2003, que tubos de pitot fabricados pela Thales Avionics - idênticos aos que equipavam o Airbus acidentado - tinham "defeitos de fabricação" que contribuíam para falhas na detecção da velocidade, capazes de criar panes em sequência nos sistemas de navegação eletrônicos do avião. O uso das sondas foi paulatinamente reduzido, até ser proibido em aviões A320, mas o mesmo não ocorreu em modelos A330 e A340.Na mesma linha de apuração, o site de informações francês Rue 89 publicou ontem uma reportagem indicando que a Federal Aviation Administration (FAA), a autoridade americana de aviação civil, afirmara, em relatório datado de 4 de dezembro de 2002, que a substituição das sondas pitot "era necessária para prevenir perdas ou flutuação de informações de velocidade. Essa medida tem por objetivo resolver o problema de segurança sério identificado".A progressão das dúvidas obrigou o diretor-geral da Air France a se manifestar pela primeira vez desde o dia do acidente. Defendendo-se das críticas pela demora no programa de substituição dos sensores de velocidade sob suspeita, mesmo após o conselho dado pela Airbus, Gourgeon justificou-se. "Por circunstâncias de tempo, os primeiros aprovisionamentos (da peça) chegaram praticamente na véspera do acidente, na sexta-feira." Depois da tragédia, a companhia acelerou a troca dos tubos de pitot da frota de A330 e A340. "Esse programa foi acelerado porque nos parece que há efetivamente, no acidente, um problema de velocidade", reconheceu, em entrevista ao jornal Le Parisien. O executivo, contudo, disse não ver vínculos entre a falha e a tragédia. "Não estou convencido de que as sondas sejam a causa do acidente." Também em postura defensiva, na quarta-feira a Airbus reafirmara que seus aviões "são seguros". Ontem, o Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil (BEA) endossou a versão das companhias. "Ainda não há nenhum vínculo entre os pitots e as causas do acidente", afirmou a porta-voz do órgão, Martine Del Bono. No sábado, contudo, o diretor do BEA, Paul-Louis Arslanian, havia definido a "incoerência no aferimento da velocidade" como "um elemento forte na investigação".

, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2009 | 00h00

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