Diretor da Anac viajou aos EUA a convite da TAM, diz TV

TAM teria custeado viagem de diretor; para a Anac não há problemas éticos nisso

28 Julho 2007 | 13h29

De acordo com o Jornal da Globo de sexta-feira, 27, o diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Josef Barat, teria viajado a Nova York, em 9 de dezembro de 2006, a convite da empresa aérea TAM. Segundo a reportagem, Barat teria ido aos EUA para participar de uma palestra sobre o futuro do desenvolvimento do setor aéreo e suas questões, durante o "TAM Day".   Segundo a reportagem, a TAM teria custeado as despesas com passagens e hospedagem do diretor da Anac. Ele não concedeu entrevista sobre o caso, mas a Agência Nacional de Aviação Civi não considera falta de ética o fato de Barat ter viajado a convite da empresa e com as despesas pagas pela companhia aérea.   Renúncia coletiva   Avançaram as negociações entre o governo e o comando da Anac para convencer seus cinco diretores a renunciarem aos cargos até terça-feira, como sugeriu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a vários interlocutores. Para apressar o desfecho, o governo busca uma "saída honrosa", algo que possa recolocar todos no mercado de trabalho - público ou privado.   O grupo de ministros que o presidente Lula escalou para dar uma solução à crise no setor aéreo, incluindo o novo comandante da Defesa, Nelson Jobim, avalia que a Anac está excessivamente comprometida com os interesses das companhias aéreas e não atua como órgão regulador. Mas, na impossibilidade de demiti-los, por conta da lei que confere um mandato a cada diretor, o governo trabalha por uma saída negociada.   Embora haja resistências internas à troca - como a do ministro da Justiça, Tarso Genro, um colaborador presidencial afirma que não haverá maiores problemas para a renúncia coletiva. Prevalece no Planalto a convicção de que o presidente da agência, Milton Zuanazzi, por exemplo, entregará a carta de demissão no momento em que a madrinha política - a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef - solicitar. A idéia é acomodá-lo no Rio Grande do Sul, onde já foi secretário de Turismo. Um colaborador presidencial disse ao Estado que o nome mais cotado para substituir Zuanazzi é o do brigadeiro Jorge Godinho Barreto Nery.   A resistência maior viria da diretora Denise Abreu, que teve a indicação para o cargo patrocinada pelo ex-ministro José Dirceu - e ainda não teria para onde ir. Também não está decidido o futuro de Josef Barat, que presidiu a empresa Metropolitana de Transportes de São Paulo (EMTU) e chegou à Anac com o aval do ex-ministro da Fazenda e deputado Antonio Palocci (PT-SP).   Em se tratando de renúncia coletiva, nem o coronel aviador Jorge Velozo, único dos cinco diretores que tem o conhecimento técnico do setor, escapará da ofensiva do governo. Um colaborador palaciano diz que o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, já foi acionado para conversar com Velozo.   Já o diretor Leur Lomanto, deputado federal por sete mandatos, tem pretensões políticas e não gostaria de ver seus planos arranhados por uma renúncia coletiva da Anac, mas o Planalto avalia que não terá maiores problemas para tirá-lo de lá.

Mais conteúdo sobre:
crise aérea caos aéreo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.