Diretor da Infraero nega irregularidades na CPI do Apagão

Brendaglia tinha habeas-corpus garantindo a ele o direito de permanecer calado, mas respondeu a perguntas

04 Setembro 2007 | 17h09

Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo nesta terça-feira, 4, o ex-superintendente de Planejamento e Gestão da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) Fernando Brendaglia de Almeida negou acusações de irregularidades na compra de um programa de gerenciamento de publicidade pela Infraero e afirmou que só objetivava aumentar os lucros da empresa.   Brendaglia, que também foi diretor comercial da Infraero, apresentou à CPI um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Eros Grau, garantindo a ele o direito de permanecer calado. No entanto, respondeu às perguntas feitas pelos senadores.   Fernando Brendaglia foi um dos responsáveis pela contratação, pela Infraero, de software para gerenciamento de publicidade nos aeroportos, por R$ 26 milhões. De acordo com o relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o serviço poderia ter sido feito por R$ 3 milhões.   O depoente contou que foi diretor comercial da Infraero por dois anos e meio e se desligou da companhia há 15 dias, quando ocupava o cargo de superintendente de Planejamento e Gestão. Disse que foi levado à empresa pelo ex-presidente da Infraero Carlos Wilson, de quem "é amigo".   Brendaglia informou aos senadores que contratou junto à empresa FS3 o uso do sistema Advantage V2 para gerenciar a publicidade em 65 aeroportos no país de forma a organizar melhor a oferta de espaço comercial. De acordo com o ex-diretor, antes da instalação do sistema, a Infraero vendia espaço de mídia aeroportuária por preços abaixo do que poderia conseguir. Brendaglia afirmou que o preço dos anúncios era cobrado por metro quadrado e não pela audiência, como geralmente esse tipo de espaço é comercializado.   O ex-diretor da Infraero afirmou ainda que, no modelo anterior, a venda dos espaços publicitários nos aeroportos não era licitada. Em resposta ao relator, Demóstenes Torres, disse que tinha "a impressão de que ocorria favorecimento de algumas empresas". Brendaglia afirmou que houve "muita reação contrária" à instalação do software de gerenciamento de publicidade por parte da Associação Brasileira de Mídia Aeroportuária (ABMA), que representa as empresas que exploravam esse setor antes da instalação do novo sistema.   Brendaglia disse ainda que a implantação do Advantage V2 traria transparência e igualdade de oportunidade a todas as empresas que quisessem adquirir espaço de mídia na Infraero, uma vez que o novo sistema disponibilizava publicamente na Internet dados para compra de espaço publicitário nos aeroportos.   O ex-diretor comercial afirmou aos senadores que, antes da implantação do novo software, os aeroportos arrecadavam cerca de R$ 30 milhões por ano com publicidade. Com a implantação do novo sistema, Brendaglia esperava chegar à arrecadação de R$ 100 milhões.O uso do sistema foi suspenso e o Advantage V2 não está sendo usado atualmente.   Em resposta a perguntas de Demóstenes Torres, Brendaglia contou que dispensou a licitação para a compra do software porque um documento da Associação das Empresas Brasileiras de Softwares certificou que não havia outros programas semelhantes no mercado.   (Com informações da Agência Senado)

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