Diretor de Bangu 1 admite que sabia sobre ?banho de sangue?

O diretor exonerado de Bangu 1, Ricardo Couto, reconheceu que já tinha conhecimento sobre o "banho de sangue" que haveria no presídio, mas disse que não precisava comunicar a Secretaria de Segurança porque a informação partiu de lá. "Recebi um fax do Cinpol (Centro de Inteligência da Polícia), que alertava para a possibilidade de um confronto. Avisei o Desipe (Departamento do Sistema Penitenciário), a juíza da Vara de Bangu e a promotoria", disse.O fax teria sido recebido na quinta-feira passada, véspera do depoimento de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira Mar, e levou o Desipe a reforçar o esquema de segurança para a ida do traficante ao fórum. Couto prestou depoimento hoje na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e disse que se sente traído pelos agentes do Desipe, que estavam de plantão. "Eu confiava na minha equipe".Couto disse que no dia da rebelião foi perseguido na Avenida Brasil. Ele acredita que seria seqüestrado. "Eu seria um refém do lado de fora do presídio", afirmou. O ex-diretor disse que conseguiu escapar porque acelerou com seu carro. Couto se queixou de que até agora não foi comunicado oficialmente da exoneração. Ele contou que durante o processo de negociação os presos Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, e Francisco Paulo Testa Monteiro, o Tuchinha, se aproximaram dele e disseram: "Doutor, o senhor caiu".O chefe de Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, disse que o Cinpol cumpriu o seu papel, de transmitir a informação apurada. "Agora, a segurança intramuros era responsabilidade dele, não da Polícia Civil. Ele que tomasse as providências cabíveis", afirmou. A Assessoria de Imprensa do secretário de Segurança, Roberto Aguiar, informou que ele não se manifestaria sobre o caso.InocênciaO advogado de Beira-Mar, Lydio da Hora Santos, negou que seu cliente tenha liderado a chacina, que deixou quatro mortos. "Ele estava dormindo e ouviu tiros. Ele está isento", afirmou. Segundo Santos, outros dois traficantes assumiram a autoria das mortes. "O Claudinho da Mineira e um outro, que não lembro o nome, já se acusaram", garantiu.Santos disse que Beira-Mar foi convidado pelo delegado Cláudio Góis para intermediar o fim do conflito, por ser "mais esclarecido". "O Fernando parou. Ele quer se regenerar, mas o pessoal está em cima dele, não deixa", disse o advogado, que defende o traficante há 13 anos. Santos afirmou que Beira-Mar quer estudar Direito.Traficantes do Morro do Adeus, reduto de Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, um dos mortos da chacina, trocaram tiros com policiais militares na madrugada de hoje. Carros e casas foram metralhados durante o confronto. O comandante do 22.º Batalhão, Carlos Augusto Carrijo, negou que tenha havido tentativa de invasão do morro por criminosos ligados ao bando de Beira-Mar.

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