Diretor de presídio de Dutra Pinto é afastado

Waldomiro Martins Bueno, diretor do Centro de Detenção Provisória (CDP), do Belém, onde o seqüestrador Fernando Dutra Pinto estava recolhido, foi exonerado nesta terça-feira do cargo por determinação do secretário da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, Nagashi Furukawa.Ele será substituído pela psicóloga Marisa da Costa Gadelha Rodrigues, que trabalha há dez anos no sistema carcerário.Ela é a primeira mulher a assumir a direção de um CDP no Estado. Furukawa informou que a exoneração de Bueno e a nomeação de Marisa serão publicados nesta quarta-feira no "Diário Oficial do Estado".O secretário decidiu exonerar Bueno a pedido do corregedor da Secretaria, Clayton Alfredo Nunes, que está apurando o espancamento sofrido por Dutra Pinto, responsável pelo plano e execução do seqüestro de Patrícia Abravanel e pela invasão da casa do apresentador Silvio Santos, pai de Patrícia e proprietário do SBT.Nunes entregou ao secretário, na segunda-feira, um relatório sobre as investigações feitas nas dependências do CDP. Dutra Pinto morreu na quarta-feira, dia 2, de "infecção generalizada".Ele respondia também a inquérito pelo assassinato de dois investigadores e tentativa de homicídio de um outro policial em um flat de Alphaville, em Barueri, onde a polícia apreendera parte do dinheiro do resgate de Patrícia.Esdras, irmão de Fernando, e outros dez presos contaram ao corregedor Nunes que, após a "surra" aplicada no seqüestrador, por três agentes penitenciários, na manhã do dia 10 de dezembro, Dutra Pinto começou a passar mal. Ele fora espancado porque não chamara um funcionário de "senhor".As agressões a Dutra Pinto foram confirmadas nesta terça-feira ao juiz Octávio Machado de Barros Filho, da Vara das Execuções Criminais, por três presos que ocupavam a mesma cela do seqüestrador. Eles prestaram um longo depoimento.Na sexta-feira, após ouvir Esdras, o juiz Machado de Barros autorizou a transferência dele e do outro seqüestrador de Patrícia Abravanel, Marcelo Batista dos Santos, para o Centro de Observação Criminológica (COC), no Complexo do Carandiru, na zona norte de São Paulo.A nova diretora, segundo o secretário, vai apurar ainda a conduta dos três agentes acusados de espancar o seqüestrador. Ela foi encarregada por Furukawa de auxiliar a Corregedoria na apuração das denúncias da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção São Paulo, que ouviu 42 detentos do CDP do Belém, em setembro e outubro.Os presos afirmaram terem sido vítimas de tortura por parte de agentes penitenciários. A maioria, mesmo ferida, foi mandada pelo ex-diretor Bueno para o CDP de Santo André.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.