Diretor de presídio é afastado por dar regalias a presos

A constatação da existência de duas celas no Presídio Aníbal Bruno, no Recife, com TV de tela plana, DVD, assinatura de TV a cabo, cozinha em cerâmica e banheiro, além de cantina e mercadinho com serviço de entrega de pizza para os presos de maior poder aquisitivo, motivou, nesta quinta-feira, a queda do diretor do presídio, tenente-coronel Evandro Carvalho. As denúncias de regalias e privilégios dentro do presídio, o maior do Brasil e segundo da América Latina, com grave problema de superlotação, foram feitas pelo Ministério Público do Estado de Pernambuco, com base em informações do Sindicato dos Agentes Penitenciários. O secretário estadual de Defesa Social, Rodney Miranda, afastou o PM e nomeou o agente penitenciário, Sidnei Souza, como novo diretor do Aníbal Bruno. Os agentes penitenciários realizam operação padrão desde maio por aumento salarial.Inquérito policial, com designação de delegado especial, foi instaurado hoje para investigar o caso e uma comissão de auditoria será formada para identificar eventuais privilégios em outros presídios do Estado. O Aníbal Bruno abriga cerca de 4 mil detentos em 1.448 celas. Pernambuco possui cerca de 16 mil detentos em 17 unidades prisionais. O promotor das Execuções Penais, Marco Aurélio de Faria, que recebeu a denúncia do Sindicato dos Agentes Penitenciários no dia 29, considerou a irregularidade que agora veio à tona "como mais uma entre tantas outras investigadas nos presídios". Segundo ele, há um ano o Ministério Público investiga concessão de privilégios nos presídios. Contra as regalias, ele defende tratamento humano e igualitário para todos.A Secretaria estadual de Ressocialização foi notificada pelo promotor e tem dez dias para fazer sua defesa. Para Ricardo Valença, integrante da diretoria do Sindicato dos Agentes Penitenciários, nos presídios domina um sistema de casta, com gente pobre dividindo cela com mais de outras 20 pessoas e os que têm poder aquisitivo comprando privilégios. Ele avalia que o Ministério Público só agiu agora em relação às denúncias - enviadas há duas semanas - porque o assunto chegou à imprensa.

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