Diretor do presídio de Bangu 3 é assassinado no Rio

José Roberto do Amaral Lourenço foi morto a tiros na Avenida Brasil, próximo ao Complexo de Gerincinó

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo, e Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

16 Outubro 2008 | 10h06

O diretor da Penitenciária de segurança máxima Gabriel Ferreira Castilho (Bangu 3), o tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto Amaral Lourenço, de 41 anos, foi assassinado na manhã desta terça-feira na Avenida Brasil, quando ia para a o trabalho. Os criminosos, que ocupavam uma Blazer e um Peugeot, dispararam mais de 60 tiros contra o carro de Lourenço, que estava sem escolta. Nada foi roubado.   Em Bangu 3, Lourenço dividia a direção com o irmão, o capitão da PM Alexandre Amaral Lourenço, que administrava os presos menos perigosos. Já Lourenço cuidava do setor que abriga cerca de 450 presos, entre eles os 55 encarcerados na galeria B7, considerados o segundo escalão na hierarquia do Comando Vermelho, como o chefe do tráfico do Morro do Turano, Ocimar Nunes Robert, o Barbosinha; Alexander Mendes da Silva, o Polegar, líder do tráfico na Mangueira; e Aldair Marlon Duarte, o Aldair da Mangueira, apontado como o líder dos detentos.   Segundo testemunhas, os bandidos emparelharam com o carro do militar, um Peugeot branco, por volta das 8h30 e fizeram os primeiros disparos. Lourenço perdeu a direção do veículo e desceu por um barranco, em frente à favela Promorar, e foi parar na Estrada de Gericinó, na altura de Deodoro (zona oeste) paralela à Avenida Brasil. Após ser baleado, o diretor ainda raspou a lateral do carro no muro da Escola Municipal Professor Ivan Rocco Marthi e parou no meio da rua. Um dos carros dos assassinos, a Blazer Preta, parou na Avenida Brasil e dois homens saltaram e dispararam com fuzis várias vezes contra o carro de Lourenço. "Ouvimos os tiros e depois apenas um carro saindo em disparada" disse uma professora.   "O carro dele foi jogado para fora da pista pelos ocupantes do carro preto, desceu pelo barranco em frente a minha barraca. Fiquei assustado e me escondi", disse uma comerciante que trabalha no local. "Foram muitos tiros. Levei um susto e preferi me trancar em casa", contou o aposentado José Carlos Costa, de 68 anos.   Os policiais foram cautelosos ao falar sobre o caso. "Só temos informações preliminares. Vamos ouvir algumas testemunhas e esperar que a população use o Disque Denúncia. O corpo foi levado para o IML e o carro recolhido para uma perícia mais minuciosa", resumiu o delegado da 33ª Delegacia de Polícia, Felipe Curi. Os agentes da Delegacia de Homicídios já investigam o caso como uma morte encomendada e não descartam o envolvimento de presos do Comando Vermelho, que são maioria na unidade dirigida por Lourenço.   O secretário de Administração Penitenciária, Cesar Rubens Monteiro de Carvalho, esteve no local, mas não quis falar com os jornalistas. Em nota oficial, ele lamentou o assassinato e disse que Lourenço era um "servidor exemplar, que cumpria a lei em sua integridade, um homem sério, corajoso, que exercia a função de diretor de uma unidade de segurança máxima".   Lourenço era casado e pai de duas filhas. O policial militar atuava há quatro anos no sistema penitenciário e tinha fama de "linha-dura". Antes de Bangu 3, Lourenço dirigiu a Casa de Custódia de Benfica. Sob sua direção, em maio de 2004, a casa foi o palco da pior rebelião do sistema carcerário do Rio que resultou na morte de 30 presos após uma tentativa de fuga frustrada de presos revoltados com a mistura de detentos de diferentes facções criminosas. Na ocasião, Lourenço disse a deputados federais da Comissão de Direitos Humanos que estava sendo ameaçado de morte. Os parlamentares pediram a sua transferência.   No ano passado, denúncias e escutas autorizadas pela Justiça mostravam que os presos de Bangu 3 davam ordem aos comparsas fora da cadeia usando rádios portáteis,operando na freqüência de rádio-amador, e alguns testavam dentro das celas a droga que seria vendida nas favelas.   Texto alterado às 19h32 para acréscimo de informações.

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