Diretora da Anac diz que quebra de seu sigilo é 'um absurdo'

Denise Abreu se defende de acusações e diz que se for culpada pela crise é por 'trabalhar muito'

23 de agosto de 2007 | 17h36

A diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu afirmou nesta quinta-feira, 23, que a quebra de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico é "um absurdo. Em depoimento aos deputados da CPI do Apagão Aéreo da Câmara, Denise se defendeu de acusações e disse que se ela tem culpa na crise aérea é por "trabalhar muito". Na terça-feira, 21, os senadores da CPI do Apagão aprovaram o pedido de quebra de sigilo de Denise e de outros ex-diretores da Anac e da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).   Diretora da Anac se defende e diz que não 'ludibriou' a Justiça CPI quer suspender vôos sem reverso Denise Abreu nega renúncia da diretoria da Anac Na CPI, Denise pede desculpas aos familiares do acidente da Gol  Todas as notícias sobre a crise aérea   Especial sobre a crise aérea      "Meu sigilo bancário, telefônico e fiscal foi quebrado em cima de uma ilação de que o brigadeiro José Carlos teria sido ofendido. Foi uma prática ilegal. Fui ao Senado como testemunha", afirmou. Para Denise, é um absurdo os parlamentares pedirem a quebra do sigilo de uma "testemunha sem nenhuma culpa."   A diretora da Anac disse também que se é culpada de algo é por "trabalhar muito". Denise relatou aos deputados que pode ter culpa por "estar no acidente da Gol, da TAM e na defesa dos interesses da Anac." A diretora afirmou também que sempre foi uma "servidora pública e meu salário é pago pelo povo. Mantenho minha posição que no estado democrático de direito é absurdo quebrar sigilo de uma testemunha sem nenhuma culpa."   Defesa   Em seu depoimento Denise se defendeu das acusações de ter enganado a Justiça entregando um documento que não tinha validade e foi usado como base para a reabertura de Congonhas. "Fui chamada de terrível e aprendi com grandes administradores públicos a delegar e a cobrar resultados", afirmou, no começo de seu depoimento. "Paciência é minha missão. Passei a ser acusada de ludibriar o poder judiciário que tanto respeito."   Em 22 de fevereiro, Denise Abreu, levou à desembargadora Cecília Marcondes uma norma que proibia pouso de aviões com reverso inoperante em pistas molhadas como a garantia de que as operações seriam seguras. Segundo Denise, a decisão era válida apenas para os modelos Fokker 100 e Boeing 737-700 e Boeing 737-800, e não se estendia ao Airbus A320, modelo do avião que fazia o vôo 3054 e caiu após uma tentativa frustrada de pouso, causando a morte de 199 pessoas no dia 17 de julho.   "Não tem sentido imaginar que a Anac quisesse enganar a Justiça a respeito de algo que não era, sequer de longe, o objeto da ação." A diretora da Anac, disse que se autorizasse determinados pousos em Congonhas seria "irresponsável". Em 22 de fevereiro, Denise Abreu, levou à desembargadora Cecília Marcondes uma norma que proibia pouso de aviões com reverso inoperante em pistas molhadas como a garantia de que as operações seriam seguras. Na CPI do Apagão Aéreo do Senado, no entanto, Denise disse que o papel não tinha validade de norma.

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