Diretora da Anac lamenta ataques e diz que não fuma charutos

Denise Abreu se defende de críticas e faz exposição sobre sua carreira no serviço público paulista

Cida Fontes, do Estadão,

16 de agosto de 2007 | 11h53

A diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, Denise Abreu, lamentou, nesta quinta-feira, 16, os ataques que recebeu desde o início da crise aérea. "Fui exposta à nação como uma mulher insensível", afirmou a diretora, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a crise aérea no Senado. Denise também afirmou que nenhum especialista em aviação civil havia sido formado e estava preparado para enfrentar a crise aérea que surgiu após o choque do Boeing da Gol com o jato Legacy.   Veja também: Discussão sobre aeroporto causa bate-boca entre senadores Pereira diz que não tinha autoridade sobre o tráfego aéreo Cronologia da crise aérea  Quem são as vítimas do vôo 3054  Tudo sobre o acidente do vôo 3054      Em rápida exposição, Denise Abreu procurou associar sua carreira no serviço público não apenas a amizade com o ex-ministro José Dirceu, que a convidou para trabalhar na assessoria jurídica da Casa Civil, mas também à sua experiência em São Paulo. Ela fez um extenso relato de sua trajetória profissional. Contou que antes mesmo do governo de Mário Covas, do PSDB, foi assistente técnica da secretaria de segurança pública do governo e Franco Montoro, do PMDB. De 1984 a 1986 foi assessora jurídica do Tribunal de contas de São Paulo, quando Mario Covas era prefeito da capital.    A diretora da Anac reconheceu ser amiga de José Dirceu e disse que tem muito orgulho de ser convidada pelos colegas para trabalhar. Ela informou que ingressou por concurso público na Procuradoria jurídica de são Paulo. De 1991 a 1995 assumiu o cargo de assistente jurídica a convite do procurador de são Paulo. Foi chefe de gabinete da secretaria de saúde de São Paulo, na época de Mario Covas, e trabalhou na Febem.   "Minha indicação decorre de uma longa trajetória na gestão da administração pública. Devo ter algumas qualidades", afirmou. Acrescentou que foi indicada para a Anac pelo fato de ter participado da elaboração do projeto com o marco regulatório das agências reguladoras.    As críticas à diretora da Anac começaram depois que ela afirmou aos parentes das vítimas do acidente da Gol, em 29 de setembro de 2006, quando 154 pessoas morreram, que eles eram inteligentes e que "o avião caiu de 11 mil metros, a 400 quilômetros por hora. O que vocês esperavam? Ainda encontrar corpos?".   Defendendo-se das críticas sobre ter sido fotografada fumando charuto em uma festa com a diretoria da Anac dias depois do acidente, Denise disse que não fuma charuto e que apenas "educadamente" participou de um ritual durante o casamento da filha de um amigo.   "Aprendi com grandes administradores públicos a delegar tarefas com veemência. Isso pode ser interpretado como um trator e dependendo do enfoque isto não deixa de ser verdadeiro", afirmou Denise aos senadores.   A oitiva começou por volta das 11h30 desta quinta-feira. O ex-presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, também é ouvido pelos senadores. Ele afirmou que prefere ser interrogado a apresentar sua defesa aos senadores.

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