Diretora da Anac nega relações diretas com Lula e José Dirceu

Em depoimento à CPI, Denise Abreu nega que tenha sido indicada ao cargo pelo então ministro da Casa Civil

Renata Veríssimo, do Estadão,

16 de agosto de 2007 | 16h32

Denise Abreu, diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), negou que tenha ligações diretas com o presidente Lula e com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo do Senado, Denise foi questionada pelo relator da comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), sobre sua experiência e a dos demais diretores da agência reguladora no setor aéreo, além de possíveis ligações com Lula e Dirceu. A diretora da Anac contou que despachou várias vezes com Lula sobre assuntos relacionados à sua função de subchefe da Casa Civil. Negou que tenha sido indicada para a Anac por José Dirceu. Porém, Denise negou a ligação e afirmou que sua experiência foi adquirida entre agosto de 2003 e agosto de 2005, quando trabalhou como subchefe da Casa Civil na elaboração de pareceres e decretos relacionados ao setor. Demóstenes perguntou a Denise se ela tinha ligações diretas com Lula e se isso tinha a ver com a nomeação dela para o cargo. Em relação à competência e qualificação dos outros cindo diretores da Anac, Denise disse que todos eles, "a depender da área da aviação civil", têm conhecimento sobre o setor. "Estamos falando de segurança de vôo, mas segurança de vôo não é tudo na aviação civil", disse ela. Demóstenes leu declarações a ela atribuídas, na imprensa, por parentes das vítimas do acidente com o Boeing da Gol que matou 154 pessoas em setembro de 2006. A parentes que, na época, se queixavam da dificuldade de identificação das vítimas, Denise Abreu disse, segundo o noticiário da época: "Vocês são inteligentes. O avião caiu de 11.000 metros de altura. O que você esperavam? Corpos?" A diretora respondeu ao senador que isso não tem mais "a menor importância", porque a sua intenção, naquele momento, foi a de apresentar informações às famílias das vítimas. Acrescentou que, se a compreensão das suas declarações foi a de que ela não teve sensibilidade para com as pessoas, voltará a pedir desculpas.

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