Diretora da Anac pode ser chamada à CPI, diz Demóstenes

Denisa Abreu é acusada por José Carlos Pereira de favorecer amigo em transferência no setor de cargas

Tânia Monteiro, do Estadão,

06 de agosto de 2007 | 12h43

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), relator da CPI do Apagão Aéreo do Senado, disse que a comissão poderá chamar a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu para explicar as acusações feitas por José Carlos Pereira, presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária, que está deixando o cargo.   CPIs investigam obras da Infraero e pilhagem de vítimas da Gol  Gaudenzi assume a presidência da Infraero "Nessa área não conheço nada", diz Gaudenzi Pereira aponta 3 fatores para acidente da TAM  Vítimas da Gol foram pilhados após acidente   Maiores desastres da aviação brasileira  Cronologia da crise aérea  Em entrevista ao jornal O Globo, o brigadeiro acusou Denise de tentar beneficiar um amigo, na tentativa de transferir o setor de cargas dos aeroportos de Congonhas e Viracopos, para o aeroporto de Ribeirão Preto. Para o senador, com a denúncia a Anac passa a ser foco de investigação. "Vamos estudar tudo isso para ver o que fazer e acionar a Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União", disse Torres, ao deixar o Ministério da Defesa, onde apresentou ao ministro Nelson Jobim o seu relatório parcial sobre o caos aéreo. Em entrevista, Demóstenes criticou a saída do brigadeiro da presidência da Infraero. José Carlos Pereira era a "parte boa e honesta da empresa", afirmou o senador. "O presidente da Infraero era parte boa, honesta, decente e técnica. Mas em relação a nomes nós temos que dar crédito para quem assume", disse Demóstenes. Para o relator da CPI, a Infraero precisava de uma grande limpeza, mas Demóstenes ressaltou que o único que não estava entre os envolvidos, que não era acusado de corrupção, era o brigadeiro José Carlos Pereira. O ministro da Defesa, porém, segundo o senador, observou que era necessária uma grande mudança na Infraero. Segundo Demóstenes, Jobim disse que deu carta branca para o futuro presidente, Sérgio Gaudenzi. Sobre o seu relatório parcial como relator da CPI do Apagão Aéreo, Demóstenes afirmou que defende mudanças na lei das agências, de forma que seus diretores possam ser demitidos, em caso de corrupção ou incompetência. Para o senador, houve claro favorecimento, por parte da Anac, às duas maiores empresas do País (TAM e Gol). A CPI do Apagão Aéreo do Senado tomará ainda nesta segunda-feira o depoimento de sete procuradores da República que atuam em sete dos 14 Estados em que teriam sido registradas irregularidades na Infraero. São eles: Matheus Baraldi Magnani, procurador da República no município de Guarulhos (SP), Suzana Fairbanks Lima e Fernanda Teixeira Souza D. Taubemblatt, no Estado de São Paulo, José Ricardo Meirelles e Paulo Roberto Galvão de Carvalho (município de Campinas), Bruno Caiado de Acioli (no Distrito Federal) e Hélio Telho Correa Filho (no Estado de Goiás). Na quinta-feira serão ouvidos outros sete procuradores. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, será ouvido nesta terça.

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