Diretora da Anac se defende e diz que não 'ludibriou' a Justiça

Documento entregue por Denise à desembargadora foi usado como base para liberar pista de Congonhas

23 Agosto 2007 | 09h46

Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo no Senado, a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu se defendeu das acusações de ter enganado a Justiça entregando um documento que não tinha validade e foi usado como base para a reabertura de Congonhas. "Fui chamada de terrível e aprendi com grandes administradores públicos a delegar e a cobrar resultados", afirmou, no começo de seu depoimento. "Paciência é minha missão. Passei a ser acusada de ludibriar o poder judiciário que tanto respeito."   Sob acusações, diretora da Anac depõe à CPI do Apagão Todas as notícias sobre a crise aérea   Especial sobre a crise aérea   Em 22 de fevereiro, Denise Abreu, levou à desembargadora Cecília Marcondes uma norma que proibia pouso de aviões com reverso inoperante em pistas molhadas como a garantia de que as operações seriam seguras. Segundo Denise, a decisão era válida apenas para os modelos Fokker 100 e Boeing 737-700 e Boeing 737-800, e não se estendia ao Airbus A320, modelo do avião que fazia o vôo 3054 e caiu após uma tentativa frustrada de pouso, causando a morte de 199 pessoas no dia 17 de julho.  "Não tem sentido imaginar que a Anac quisesse enganar a Justiça a respeito de algo que não era, sequer de longe, o objeto da ação." A diretora da Anac, disse que se autorizasse determinados pousos em Congonhas seria "irresponsável". Em 22 de fevereiro, Denise Abreu, levou à desembargadora Cecília Marcondes uma norma que proibia pouso de aviões com reverso inoperante em pistas molhadas como a garantia de que as operações seriam seguras. Na CPI do Apagão Aéreo do Senado, no entanto, Denise disse que o papel não tinha validade de norma.  Reverso não é "essencial" Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo do Senado nesta quinta-feira, 23, a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu afirmou que o reverso não é um "equipamento essencial". Para fazer a observação sobre a ausência do reverso, Denise citou um parecer de um técnico de vôo do ITA. Segundo ela, o parecer de Cláudio Passos Simão, lido aos deputados, "o reverso é equipamento usado para auxiliar a desaceleração no solo. Não é computado como equipamento essencial. Os requisitos de operação exigem que sejam acrescidos fatores de segurança." Denise acrescentou que o técnico considerou que "o Brasil adota integralmente os requisitos de certificação os quais no desempenho de pousos de aviões são idênticos aos adotados na europa." Texto alterado às 11h05 para acréscimo de informações.

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