Diretora diz não ver motivo para renunciar e nega culpa por crise

Denise Abreu confirmou em CPI viagem aos EUA a convite da Gol

Ana Paula Scinocca e Luciana Nunes Leal, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 00h00

Cobrada pelas suspeitas de favorecimento à iniciativa privada, a diretora da Anac Denise Abreu disse na CPI do Apagão Aéreo do Senado que não vê motivos para renunciar ao cargo e nem se sente responsável pela crise aérea. O jeito sério e a veemência das declarações da diretora, no entanto, não convenceram o relator da CPI, Demóstenes Torres (DEM-GO). Denise foi enfática: "Meu mandato foi delegado pelo Senado e não tenho razões para renunciar. Não entendo que tenha qualquer tipo de responsabilidade nas circunstâncias que denotam crise e que levaram a tragédias lastimáveis, que marcaram o País". Ontem, a diretora também deveria depor na CPI do Apagão da Câmara, mas a sessão foi adiada para quinta. Os deputados chegaram a aguardar por cerca de uma hora a presença da diretora. A diretora confirmou que, no ano passado, fez uma viagem a Seattle (EUA), a convite da Gol, para participar da entrega do primeiro de uma série de Boeings comprados pela empresa aérea. A diretora reconheceu que a viagem às custas da companhia pode ter sido um erro. "Nós entendemos, e pode até ter sido equivocado, que o correto era poupar o dinheiro do erário", justificou. A prática, como notaram os senadores, era comum na Anac. Sobre os passes livres nas empresas aéreas, a diretora negou que tenha feito viagens de interesse pessoal e disse que a Anac enviou informações erradas à CPI. Segundo ela, a agência informou à CPI que Denise fez 42 viagens de graça, quando, nas contas da diretora, foram 35. "Usei 15 passes da Gol e 20 da TAM em oito meses. Eram viagens para o Rio, na época da transição do DAC (Departamento de Aviação Civil) para a Anac." Denise disse que só viaja a São Paulo para ver a família com recursos próprios. Segundo Denise, há 15 dias a Anac deixou de ser exclusivamente um colegiado, com todos os diretores opinando sobre tudo, e uma mudança no regimento interno criou atribuições para cada um dos cinco diretores. A ela coube a Diretoria de Serviços Aéreos. Ela negou que tenha sido indicada pelo ex-ministro José Dirceu ou pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) para a diretoria da Anac e, ao ser indagada sobre experiência prévia no setor aéreo, disse que, durante um ano e meio, quando foi subchefe-adjunta da Casa Civil, era responsável pelo setor. "Todas as matérias do setor aéreo eram comigo." Denise disse acreditar que o presidente Lula indicou seu nome por causa do trabalho na Casa Civil. "Não tenho ligação com o presidente. Eu trabalhei com o Lula. O presidente despachou várias vezes comigo", afirmou. Denise voltou a negar que tenha influenciado empresários do setor aéreo a reagirem às medidas do governo para desafogar o Aeroporto de Congonhas e disse que apenas sugeriu às companhias que levassem as queixas ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, e, se necessário, fossem à Justiça. FRASESDenise AbreuDiretora da Anac"Meu mandato foi delegado pelo Senado e não tenho razões para renunciar. Não entendo que tenha qualquer tipo de responsabilidade nas circunstâncias que denotam crise e que levaram a tragédias lastimáveis""Usei 15 passes da Gol e 20 da TAM em oito meses. Eram viagens para o Rio, na época da transição do DAC (Departamento de Aviação Civil) para a Anac. (...) Nós entendemos, e pode até ter sido equivocado, que o correto era poupar o dinheiro do erário""Não tenho ligação com o presidente. Eu trabalhei com o Lula. Ele despachou várias vezes comigo (acreditando que sua nomeação na Anac decorreu do trabalho na Casa Civil)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.