Dirigente da Fifa disse esperar novo interlocutor

Em entrevista coletiva transmitida ao vivo para todo o mundo, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, deixou claro ontem que já não identifica no ministro dos Esportes, Orlando Silva, o interlocutor para a preparação da Copa do Mundo de 2014.

JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL / ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2011 | 03h02

"Em novembro, a ideia é encontrar o novo representante do governo de Dilma Rousseff, que agora está liderando os trabalhos de preparação da Copa no nível governamental", disse Valcke. Apesar de o Palácio do Planalto insistir que nada mudou e que o Ministério dos Esporte continua liderando os trabalhos, o dirigente parecia falar de uma outra realidade. "Estou certo de que a presidente (Dilma) tomou a decisão certa em escolher uma pessoa, seja o que ocorrer com Orlando Silva."

Inimigo. O ministro se transformou em um desafeto de Valcke e do presidente da Fifa, Joseph Blatter. Ambos o acusam de ter mudado a Lei Geral da Copa que foi enviada ao Congresso, sem consultar a entidade, que por meses negociou o texto com advogados

Em sua edição de ontem, o Estado já indicava que Orlando não fazia mais parte dos planos da Fifa e a entidade comemorava o fim do mandato do ministro, considerado como o principal obstáculo para os avanços na Copa do Mundo.

A Fifa e o Comitê Organizador Local da Copa, liderado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ainda puniram o governo ao retirar jogos da Copa de 2014 de Porto Alegre e demonstrar que os prazos de obras federais não são confiáveis.

Logo após a declaração do dirigente da Fifa, a Casa Civil divulgou nota insistindo que continuará usando o Ministério dos Esportes como ponto focal entre a entidade e o governo. Mas não citou o nome de Orlando.

Ontem, tanto Valcke como o presidente da Fifa, Joseph Blatter, fizeram questão de mostrar desagrado com o governo brasileiro. Ambos viajarão para o Brasil no próximo mês a fim de tratar do assunto da Lei Geral da Copa com Dilma.

"Vou ter uma reunião com Dilma, provavelmente em novembro, para finalizar para sempre o compromisso que foi dado à Fifa pelo antigo governo brasileiro (de Luiz Inácio Lula da Silva), quando o Brasil recebeu o direito de sediar a Copa", afirmou Blatter. Em 2007, o governo Lula assinou cartas em que garantia que iria cumprir com as exigências da Fifa em questões como ingressos, proteção de marcas e outros assuntos que hoje esbarram na lei nacional.

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