Dirigente do PV critica propostas de presidenciáveis

Vice-presidente verde, Alfredo Sirkis classifica como ''fracos'' os documentos enviados por PT e PSDB em busca de votos de Marina

Roberto Almeida e Herton Escobar, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2010 | 01h00

Na primeira reação pública de um dirigente verde às cartas de intenções de PT e PSDB, que tentam obter o apoio e o eleitorado de Marina Silva (PV), a resposta foi negativa. O vice-presidente do partido, deputado eleito Alfredo Sirkis (RJ), fez duras críticas em seu blog aos documentos apresentados por petistas e tucanos. Considerou ambos "fracos".

Há, no entanto, dois pesos às declarações de Sirkis. Um para a carta do PT e outro para a carta do PSDB. O dirigente verde é mais incisivo em relação ao documento apresentado pelos tucanos, que chamou de "pífio". "Dá a impressão de negligência, de ter sido feito "nas coxas"", observou, para, em seguida, enumerar pontos de divergência.

Em sua crítica mais contundente, Sirkis afirma que os emissários do PSDB cometeram uma "gafe monumental" ao versar sobre o voto distrital. "O distrital é a morte dos pequenos partidos como o nosso. Nossa proposta é o distrital misto (sistema alemão). Deve ter sido por conta da pressa ou do descaso...", argumenta o dirigente.

Para Sirkis, por outro lado, a candidata do PT, Dilma Rousseff, aceitou "ir mais longe" na questão do código florestal - ponto-chave para a convergência do apoio verde. "No documento, os tucanos ficam aquém inclusive do colocado na conversa. Não falam de reserva legal e tornam ainda mais imprecisos seus limites em relação às Áreas de Proteção Ambiental (APPs)", anotou o dirigente do PV.

As declarações de Sirkis reforçam o aceno do "corpo político" do PV para a independência como resposta final para o segundo turno. O presidente do PV de São Paulo, Maurício Brusadin, concorda. "Foi muita declaração de amor para pouca prova de amor", sublinhou, sobre as cartas de intenções de PT e PSDB.

Contudo, isso não significa que o partido permanecerá neutro na disputa. O "corpo técnico" da campanha de Marina descarta a falta de posição na disputa. "Pode haver independência, mas não neutralidade", disse ao Estado João Paulo Capobianco, coordenador da candidata do PV. "Isso seria uma desqualificação do processo eleitoral e um desrespeito com os nossos eleitores."

Mesmo que não declare apoio a um candidato, afirma Capobianco, o partido continuará engajado na eleição, defendendo sua agenda de governo. Para ele, a princípio, nenhum candidato leva vantagem sobre o outro. "Nenhum dos dois dá importância estratégica à questão ambiental", afirmou.

Crachás ao alto. O veredicto dos verdes, no entanto, só sairá na plenária que o PV realiza hoje, às 10 horas, em São Paulo, quando entre 150 e 180 pessoas levantarão seus crachás em favor do presidenciável tucano José Serra, de Dilma, ou pela independência verde.

Ontem à tarde, os dirigentes verdes estavam reunidos na capital paulista para afinar seus discursos. Além de quadros políticos do partido, o que inclui membros da executiva nacional e dirigentes estaduais, o PV enumerou seus participantes.

Estarão presentes os 11 candidatos aos governos estaduais e os 13 candidatos ao Senado de 2010, deputados federais com mandato e eleitos em 2010, cinco representantes do grupo de Programa de Governo, cinco representantes do Movimento Marina Silva e cinco representantes de entidades religiosas não ligadas ao partido.

A decisão deve ser norteada pelas respostas por escrito de Serra e Dilma - as quais Sirkis criticou duramente - à lista de 42 compromissos considerados essenciais pelos verdes, chamada "Agenda por um Brasil Justo e Sustentável". Entre eles, uma série de compromissos relacionados a questões ambientais que foram praticamente ignoradas nas campanhas do PT e do PSDB até agora, como o combate ao desmatamento e a promoção do uso de energias renováveis.

Missivas. As cartas enviadas por PT e PSDB ao PV durante a semana tentaram pela via programática amealhar 20% do eleitorado brasileiro que votou em Marina - voto substancial para decidir a eleição em favor de Serra ou Dilma.

As tentativas de seduzir dirigentes verdes versaram sobre temas como a proteção dos biomas brasileiros, a criação de uma Agência Reguladora para a Política Nacional de Mudanças Climáticas, segurança pública e seguridade social.

Em carta enviada na sexta-feira ao presidente do PV, José Luiz de França Penna, o presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra, afirmou que "constata grande convergência entre o programa de governo do partido e as propostas do PV", e que "a elaboração de um programa de governo comum poderá ser rapidamente concretizada a partir da definição partidária do PV."

A resposta do PT, assinada por Dilma, manifestou acordo com diversos pontos, pediu aprofundamento de outros e negociações. "Estamos de acordo sobre a prioridade de proteção da Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica dentro de uma estratégia ambientalmente sustentável de ocupação e uso do solo e inclusão social", ressalta.

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