Discurso de Marina agrada a sindicalistas da UGT

Pronunciamento da candidata do PV foi interrompido 3 vezes por palmas da plateia, que ao final a aplaudiu de pé

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2010 | 00h00

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, fez ontem à tarde, em São Paulo, um dos mais enfáticos discursos de sua campanha. Os sindicalistas da União Geral dos Trabalhadores (UGT), para os quais ela falou, interromperam o pronunciamento três vezes com aplausos e ao final também ficaram em pé para aplaudir.

Marina pareceu mais clara e objetiva do que na maioria de seus pronunciamentos. Em 25 minutos expôs os avanços conquistados nos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva e, em seguida, apresentou-se como a candidata que pode levar o País além desses limites.

Alinhavou suas principais propostas de governo, com ênfase na área de educação e nas reformas política e tributária, e brincou com a plateia ao pedir votos: "O Brasil que já elegeu um sociólogo e um operário, pode eleger agora uma mulher."

Observou que Lula, nas primeiras eleições em que concorreu nem sempre contava com o apoio dos trabalhadores, porque tinham medo de votar em alguém como eles. E logo emendou: "O Brasil que perdeu o medo de ser feliz pode continuar ousando e escolher agora a primeira mulher como presidente. Não pelo fato de ser mulher, mas pelas suas propostas."

Mais adiante brincou com o sobrenome do presidente. "Vocês podem manter a tradição de votar em Silva, porque eu também sou Silva", ressaltou.

Empatia. A candidata do PV teceu o discurso a partir do documento que a UGT preparou para entregar aos candidatos ? o que a ajudou a criar imediata empatia com a plateia. Uma das vezes em que a interromperam com aplausos foi quando elogiou a iniciativa da central de não declarar apoio público a nenhum candidato.

Também ganhou aplausos quando criticou indiretamente o paternalismo do governo em relação às entidades sindicais. "A reforma trabalhista que eu apoio não é a reforma feita para os trabalhadores, mas a reforma feita com os trabalhadores."

A maior preocupação de Marina, que aparece nas pesquisas eleitorais com 10% das intenções de voto, é caracterizar-se como a terceira via entre os candidatos do PSDB, José Serra, e do PT, Dilma Rousseff, que estão na dianteira. Ontem voltou a dizer que, diante do velho debate que opõe privatistas e estatizantes, prefere o Estado necessário ? com a estrutura eficiente e profissional, capaz de garantir bons serviços à sociedade.

Criticou ainda o que chamou de "consenso oco" ? o fato de que, embora todos os políticos sejam favoráveis às grandes reformas, elas nunca acontecem. O melhor caminho, defendeu a candidata do PV, seria a a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva e com tempo limitado para realizar as reformas necessárias.

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