Discurso inflamado contra a ditadura deu início à carreira

Já se passaram quase 41 anos desde que o regime militar cassou o mandato dos três irmãos Alves no Rio Grande do Norte. Foi no vazio político deixado pelo pai Aluísio e pelos tios Garibaldi e Agnelo (governador do Estado em 1969), que Henrique Alves ingressou na política com discurso inflamado de jovem militante do MDB na luta contra a ditadura.

, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2011 | 00h00

Henrique estreou enfrentando os militares e empolgando o povo que lotava a praça Gentil Ferreira, em Alecrim, bairro populoso de Natal.

Era reconhecido apenas como "o filho", mas na primeira campanha por uma vaga de deputado federal em 1970 já se revelou um "palanqueiro" talentoso.

Agora, é no rastro de outro trio de peemedebistas de peso, que perdeu o mandato na Câmara - o vice-presidente Michel Temer, o ex-ministro e ex-deputado Geddel Vieira Lima (BA) e o ex-deputado Jader Barbalho (PA) - que Henrique retoma o discurso aguerrido na liderança da bancada e na luta para manter o quinhão de poder do partido. No início da carreira, fazia dupla com o primo Garibaldi Alves Filho.

Bem humorado, o senador que hoje comanda o Ministério da Previdência, conta que Henrique era o "galã" da parceria, enquanto ele não passava de "um patinho feio". Diz o primo que, nesta nova fase de liderança, Henrique assemelha-se como nunca ao galã de discurso agressivo, sem papas na língua e do tipo que não leva desaforo para casa.

Com Temer forçado a assumir postura mais contida, o desbocado Geddel fora de cena e Jader focado na batalha para recuperar o mandato cassado, o PMDB da Câmara ficou mesmo desfalcado de artilheiros. E, como diz o ministro Garibaldi, o vazio se impõe e está sendo ocupado.

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