Discurso no Itamaraty ganha elogios de aliados e na oposição

Ministra dos Direitos Humanos diz que tema ganhou aprofundamento no governo Dilma, mas evita críticas a Lula

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2011 | 00h00

A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, afirmou que o discurso da presidente Dilma Rousseff de inclusão da defesa dos direitos humanos na política externa brasileira mostrou um aprofundamento do tema dentro do governo.

Petista, ela evitou críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não prezou a questão dos direitos humanos na política externa durante seus dois mandatos, preferindo o pragmatismo das boas relações em busca de bons negócios com nações cujos chefes encontravam-se no poder havia dezenas de anos, quase sempre à base da força e da violência.

Para a ministra, a presidente Dilma carrega consigo características muito próximas ao tema dos direitos humanos. "É da vida dela, da história dela e da forma com que ela se relaciona com a vida política e a luta pelas liberdades democráticas tratar sempre dos direitos humanos. E isso ela tem reforçado, buscando uma coerência com a questão interna, em que também exige respeito aos direitos humanos", disse a ministra.

Já o presidente do DEM, senador José Agripino (RN), que é de oposição, considerou a fala de Dilma Rousseff "um passo à frente" na forma como Lula tratava a questão do respeito aos direitos humanos em sua política externa. "É um passo a mais. A presidente já havia feito declaração semelhante em relação a Mahmoud Ahmadinejad (presidente do Irã) e mostrado maior aproximação com os Estados Unidos. Espero que ela não mude", afirmou Agripino.

Para o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), Dilma demonstrou que segue a linha de Lula para os direitos humanos, porque disse, em seu discurso, a expressão "desde sempre". "Ela criticou as nações beligerantes, as intervenções no Iraque e no Afeganistão e mostrou que a nossa política é a da paz", afirmou o líder petista.

Os diplomatas ficaram contentes porque a presidente Dilma acatou uma sugestão do Itamaraty de afirmar que a política externa tem de ser uma expressão e um reflexo da ação interna, com os mesmos valores, como o combate à pobreza". / COLABOROU L.P.

MÁRIA DO ROSÁRIO

MINISTRA DOS DIREITOS HUMANOS

"É da vida dela, da história dela e da forma com que ela se relaciona com a vida política e a luta pelas liberdades democráticas, tratar sempre dos direitos humanos"

JOSÉ AGRIPINO

SENADOR (DEM-RN)

"É um passo a mais. Espero que ela não mude"

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