Discussão sobre reajuste de salários de aeroviários fica para abril

Trabalhadores não descartam possibilidade de greve; ainda estão previstas mais três rodadas de negociações nas próximas semanas e o acordo pode ser firmado até janeiro

Glauber Gonçalves, O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2010 | 16h52

RIO - Acabou em impasse há pouco a reunião realizada entre os sindicatos dos aeroviários e aeronautas e representantes das companhias aéreas, no Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) no Rio. No encontro, em que foi debatido o dissídio coletivo das categorias, o Snea propôs a mudança da data base de primeiro de dezembro para primeiro de abril.

 

"Essa discussão (do reajuste salarial) tem tido o agravante de acontecer em um período difícil", disse Odilon Junqueira, negociador do Snea, lembrando da perspectiva de grande movimento nos aeroportos no final do ano. "Em respeito à sociedade brasileira é melhor que essa discussão ocorra em um momento mais tranquilo", declarou.

 

A proposta do Snea é que em primeiro de dezembro o salário das categorias seja reajustado pela variação integral do INPC (que, segundo estimativa do Sindicato, será de entre o primeiro de dezembro de 2009 a 30 de novembro de 2010 chegue a 5,5%). Em março, as discussões seriam reiniciadas, na tentativa de fechamento de um acordo até abril.

 

Segundo Junqueira, os aeronautas e os aeroviários argumentaram que, caso seja mudada a data base, eles perderiam poder de pressão. O Snea, no entanto, rechaçou o argumento, dizendo que a data proposta de abril antecederia o feriado da Semana Santa, quando muitos brasileiros viajam. Ele afirmou que ainda estão previstas mais três rodadas de negociações nas próximas semanas e o acordo pode ser firmado até janeiro, como aconteceu há dois anos.

 

Segundo o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Aéreo (FNTTA), Uébio José da Silva, os trabalhadores não descartam a possibilidade de greve. "Aqui não sentimos muitos avanços, vou procurar os presidentes das companhias aéreas", declarou. Ele disse que também pedirá reuniões com o Ministério da Defesa e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

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