Dispara aluguel perto de áreas de risco em Salvador

Barracos que antes custavam R$ 100 hoje valem R$ 250

Tiago Décimo, Solange Spigliatti e Liège Albuquerque, SALVADOR, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

O servente José Cláudio Cardozo, de 31 anos, morador do bairro de Paripe, na capital baiana, teve a casa condenada por causa das chuvas. Outros 50 imóveis foram total ou parcialmente destruídos e 21, condenados naquela área. Cardozo quer alugar um imóvel na região que teve de deixar, mas está difícil. "Eles estão malucos. O proprietário quer R$ 250 por um barraco que nem piso tem, cheio de infiltração. Sem condição. Fui ver uma casa melhorzinha e está por R$ 350. Não dá." De acordo com Cardozo, em abril, o barraco poderia ser alugado por R$ 100, no máximo R$ 150. "Eles estão querendo tirar vantagem da desgraça dos outros."Uma volta pelas regiões periféricas da cidade é suficiente para constatar que as placas de "aluga-se" se multiplicaram, em especial perto de encostas onde houve deslizamentos. A especulação imobiliária nesse tipo de imóvel - casas construídas irregularmente e abastecidas com ligações clandestinas de água e energia - já é de conhecimento da prefeitura, que diz estudar meios para combater a situação. O proprietário do barraco descrito pelo servente Cardozo prefere não se identificar. Ele confirma que os preços subiram na região, mas nega que a ação seja exploração dos problemas alheios. "Já me ofereceram R$ 500 por uma casa. Pode ser injusto, mas é assim."No Maranhão, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil continuam as buscas por duas pessoas desaparecidas por causa das enchentes. As inundações já causaram a morte de dez pessoas e deixaram 44.070 desabrigadas e 76.840 desalojadas. Subiu para 41 o número de municípios do Piauí que decretaram situação de emergência em consequência das chuvas. Ao todo, 91.635 moradores foram afetados no Estado. A prefeitura de Fortaleza decretou ontem situação de emergência por causa das cheias no Estado. A decisão visa a facilitar a busca de recursos com os governos estadual e federal. No Ceará, 81 municípios já decretaram situação de emergência. Em Manaus, 19 bairros estão parcialmente alagados por causa da cheia do Rio Negro. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), há quatro dias o ritmo de subida do rio diminuiu da média de 3 para 1 centímetro por dia. A previsão é que esta seja a terceira maior cheia dos últimos 50 anos no Amazonas.

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