Disputa com gosto de ''déjà vu'' em SP

A pouco mais de um ano das eleições, PSDB e PT têm dificuldades para apresentar novos nomes

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2011 | 00h00

No dia 29 de março de 2004, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), à revelia de um resistente José Serra, candidato derrotado à Presidência em 2002, lançou-o na corrida pela prefeitura paulistana. "Eu acho que ele deve refletir, porque é a vontade da sociedade. Para um cargo majoritário, você não tem só as vontades pessoais", disse, então, Alckmin.

Sete anos depois, na semana passada, o mesmo governador de São Paulo reeditou sua fala. À revelia do mesmo resistente José Serra, desta vez candidato derrotado à Presidência em 2010, afirmou praticamente a mesma coisa, mas agora sobre a eleição de 2012: "Serra é o candidato mais expressivo. Dos nomes do nosso grupo, é o melhor".

A um ano e meio da eleição municipal, a principal aposta das cúpulas do PSDB e do PT, na eleição para prefeito da maior cidade do País, é a reedição do embate entre quadros tradicionais, evidenciando dificuldade de renovação política.

No PT, por exemplo, desde 98, a senadora Marta Suplicy e o ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) se revezam na corrida pelo Estado ou pela Prefeitura - com exceção de 2002, quando José Genoino foi candidato. Marta disputa a Prefeitura desde 2000.

Apostas do PT para a eleição de 2012? Mercadante ou Marta.

O script se repete no PSDB. Alckmin e Serra foram os únicos nomes do PSDB a disputar o governo paulista, desde a morte de Mario Covas em 2001. A partir de 1996, Serra se revezou com Alckmin na indicação para a Prefeitura. Concorreu naquele ano. Em 2000, foi a vez de Alckmin. Quatro anos depois, Serra disputou. Em 2008, Alckmin de novo.

Aposta do PSDB para a corrida de 2012? José Serra.

Tanto PSDB quanto PT avaliam ter nomes competitivos que nunca disputaram o Executivo. Mas temem lançá-los, principalmente se os adversários apostarem numa saída já testada e conhecida pelo eleitorado. Além disso, políticos tradicionais têm mais inserção na máquina partidária, o que facilita a viabilidade interna de suas candidaturas.

"Os partidos são oligarquias que funcionam de tal maneira que não dão espaço para novas lideranças. Os dirigentes se apegam à máquina e usam isso para inibir ou controlar novas lideranças", diz o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas.

Os neófitos na corrida municipal estão fora do eixo PT-PSDB. O secretário paulistano do Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV), aparece como uma forte aposta com o apoio do prefeito Gilberto Kassab no anunciado PSD. O empresário Paulo Skaf e o deputado Gabriel Chalita, que podem sair tanto pelo PSB como pelo PMDB, também querem concorrer. Teixeira cita o exemplo da eleição presidencial de 2010, em que Dilma Rousseff só conseguiu a indicação do PT porque toda uma geração de petistas havia sido descartada em razão de escândalos envolvendo a sigla.

Alckmin insiste na reedição do que chama "dupla Pelé e Pepe" - atacantes do Santos nas décadas de 1950 e 60 -, com Serra na Prefeitura, e ele no governo do Estado. Serra rechaça a ideia. Segundo aliados, considera que enterraria sua carreira política ao ficar amarrado na Prefeitura, quando ambicionaria disputar a Presidência ou o governo paulista.

Para Alckmin, é conveniente lançar Serra, nome capaz de manter Kassab, e o PSD, na aliança. Seguindo o script de 2004, enquanto Serra resiste, outros quadros tradicionais se movimentam com condições de viabilizar a candidatura, como o secretário estadual de Energia, José Aníbal.

A chamada "geração pós-64" está fora dos planos. "Há uma máxima: espaço político nunca é dado, é conquistado. É um processo que leva tempo ", declara o secretário Bruno Covas (Meio Ambiente), um dos nomes considerados "novos" no partido, ao lado do presidente da Câmara Municipal, José Police Neto.

"É essencial renovação. Novos nomes revigoram o partido. No entanto, sei do peso político de Serra", afirma o líder do PSDB na Câmara, vereador Floriano Pesaro. Para Alexandre Schneider, secretário municipal de Educação, nenhum partido quer testar: "A escolha sempre recaiu em quem tem história, densidade eleitoral e chance de vitória".

PT. Mercadante tem apoio do PT paulista, se quiser disputar. Mas, apesar de haver certa resistência ao nome de Marta após a eleição de 2010, o PT não ignora o capital político dela, principalmente na periferia da capital.

O ex-presidente Lula ainda quer um nome novo, como o ministro Fernando Haddad (Educação). Sem entrada na máquina partidária, Haddad tem dado indícios de interesse na política local: há uma semana, foi a Cidade Tiradentes para discutir vagas em creches.

O PT aposta que seu adversário será Serra. "Se for ele, é a política do passado", afirmou deputado Jilmar Tatto, um dos que pretendem entrar na disputa. "Ou o PT aparece com cara nova, nova roupagem, ou perde a eleição."

Para o deputado Carlos Zarattini, outro pré-candidato, a sigla "reconhece" dívida com Mercadante, que foi para o "sacrifício" ao disputar o governo em 2010. Mas diz: "A população espera mudança".

Também entram na lista petista de "novos nomes" os ministros Alexandre Padilha (Saúde), que diz não ter interesse na disputa, e José Eduardo Cardozo (Justiça).

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