Disputa eleitoral dificulta votações na Câmara

A reunião dos líderes partidários com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), nesta terça-feira, demonstrou a dificuldade que haverá na Casa em fechar qualquer acordo para votar as medidas provisórias que estão trancando a pauta do plenário antes das eleições de outubro. A disputa eleitoral prevalece na Câmara. Na reunião com Aldo, o líder da minoria, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), deixou claro sua disposição: "Eu quero derrubar o Lula e voltar ao poder. E quero que ele sofra o desgaste de vetar o reajuste dos aposentados", afirmou de forma contundente na reunião. "A Câmara não está separada da realidade. Estamos em uma luta política que vai até a eleição", continuou o líder da minoria. "Se tem o dedo do deputado para levar recurso para a prefeitura, eu quero o dedo do deputado para votar a medida provisória", disse ainda Aleluia. A discussão na reunião foi em torno da forma de votação da medida provisória que reajusta em 5% as aposentadorias pagas pela Previdência Social. A oposição tem uma emenda que aumenta esse índice para 16,67% e quer a votação nominal, quando os deputados registram seus votos. O governo quer a votação simbólica, sem a identificação dos votos. Na votação nominal, o governo deverá ser derrotado, porque os deputados da base não querem assumir o desgaste político de votar um índice menor para os aposentados. Aleluia reafirmou à Agência Estado o discurso que fez aos líderes no gabinete do presidente da Câmara: "Não estamos obstruindo a votação, estamos obstruindo o governo". "Quem é governo tem liberação de verba, tem nomeação de cargos, loteamento do governo, então tem de ter o ônus de votar com o governo", afirmou. Aldo fez um apelo na reunião para que os deputados votem para evitar o desgaste do Congresso. "É impossível que alguém aqui ache isso: eu vou velejar enquanto o navio afunda´", afirmou Aldo, ressaltando que o desgaste da Casa não é separado do desgaste do parlamentar.

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