Disque-denúncia ajudou polícia a esclarecer assassinato de segurança

"Nosso objetivo era roubar o carro. Agente saia toda noite prá roubar carros e assaltar casais naquela região. Foi preciso atirar, porque do contrário ele atiraria primeiro", essa foi a confissão de Antonio Marcos Alencar, de 23 anos, que disse ter matado o soldado da Polícia Militar Diógenes Paiva e baleou Adoniran Francisco Santos Júnior, que faziam a escolta de Thomaz, de 19 anos, filho do governador do Estado, Geraldo Alckmin.Alencar, foi preso no começo da tarde desta quinta-feira na Rua Coronel Bento Pires, 566, no Embú das Artes, na Grande São Paulo. A localização dele foi possível depois da prisão de Ricardo Souza Ibiapina, de 26 anos, que o acompanhava quando da tentativa de roubo do Vectra da escolta do Palácio do Governo, na noite de anteontem, na Rua França Pinto, em frente ao prédio 260, na Vila Mariana.Outras duas pessoas envolvidas no assassinato do policial militar e na tentativa de morte do outro PM, também foram presas: o ladrão Emerson Gomes da Silva, de 30 anos, apelidado de Fiti, que acompanhava os outros dois na noite da tentativa de assalto, e Gisele Aparecida Cintra, de 18 anos, namorada de Ibiapina.O trabalho de investigação e identificação dos assassinos do policial militar que escoltava o filho do governador, foram realizados pelo Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), após um telefonema anônimo. Com autorização da Justiça, os policiais grampearam os telefones das residências de Ibiapina e de Alencar, e gravaram a conversa entre os dois, detalhando o ataque ao Vectra do Palácio do governo, a morte do soldado da Polícia Militar e o plano de fuga da capital para o interior de São Paulo e para o Paraná."Foi um trabalho de investigação e persistência, e conseguimos esclarecer em pouco tempo este caso, que a princípio parecia muito complicado", disse o diretor do Denarc, delegado Ivaney Cayres de Souza. O secretário da Segurança Pública, Saulo Abreu, ao apresentar os assassinos, no prédio do Denarc, disse que houve uma tentativa de latrocínio. Os objetivos dos ladrões era roubar o Vectra. "Foi um trabalho importante, rápido e detalhado do Denarc para o esclarecimento desse caso e afasta qualquer especulação de ligação com atentado, que poderia ser realizado pelo PCC."Com as informações de dois dos participantes do grupo ? Ibiapina e Alencar ?, os delegados Emilio Françolin Jínior e Pedro Pórrio chefiaram seis equipes de investigadores. Ás 14 de horas, o primeiro envolvido foi preso. Ibiapinar estava no consultório dentário na Estrada do Campo Limpo, 4469, para uma consulta de correção dentária, pois ele estava usando um aparelho nos dentes. Interrogado, ele levou os policiais até a casa de Alencar, na Rua Coronel bento Pires, 566, no Embú. Alencar confessou aos policiais que foi o autor do crime. Os dois apontaram Gisele, namorada de Ibiapina, como tendo guardado o Celta usado na fuga após os tiros contra os policiais militares, e também a arma usada, uma pistola Tauris, calibre 380. O carro foi encontrado na garagem do prédio de Gisele, na Rua Martinho Vaz de Barros, 388, no Campo Limpo. A arma estava na gaveta de uma cômoda e foi apreendida e periciada no Instituto de Criminalística. os projéteis encontrados no local do crime, a polícia fez um exame de balística, comprovando que a arma fora usada para matar o policial militar e ferir o outro. Ibiapina e Alencar também denunciaram o terceiro participante do ataque ao carro da escolta do governador. Fiti foi preso em sua casa na Rua Ítalo Betarelo, 215, no Campo Limpo. "Com a confissão dos três envolvidos, com a arma periciada, e com o carro apreendido, o caso está encerrado, e eles foram autuados em flagrante por latrocínio, tentativa de latrocínio, fornação de quadrilha ou bando e receptação", declarou o diretor do Denarc. Sobre a aplicação da Lei Eleitoral, o secretário da Segurança explicou que a polícia em momento algum parou de investigar o assassinato do soldado, e por isso os três homens e a mulher estavam em situação normal para serem autuados.

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