Disque-Denúncia passa dos 100 mil telefonemas em SP

As denúncias já permitiram a liberação de 12 pessoas seqüestradas, a localização de 20 cativeiros, a prisão de 2.597 ladrões, estelionatários e traficantes, a apreensão de 289 carros roubados e 503 armas, além de munição e drogas. Já são 2.520 os casos esclarecidos na capital e na Grande São Paulo. Com mais de 100 mil telefonemas recebidos desde a instalação, em outubro de 2000, o Disque-Denúncia (0800-156315), em parceria com a Secretaria da Segurança Pública, vem auxiliando cada vez mais a polícia.Os telefonemas evitaram ainda fugas e resgates de presídios e distritos da capital e do interior paulista e permitiram a prisão de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). "E esclarecemos outros crimes, como assaltos, furtos e estelionatos, graças às denúncias", afirma o diretor do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), Godofredo Bittencourt Filho. "A informação é sempre bem recebida e tem ajudado os demais setores da polícia. É mais uma defesa que a sociedade tem contra o bandido. As pessoas devem ajudar-se e assim auxiliar a polícia".O presidente do Instituto São Paulo Contra a Violência, Eduardo Capobianco, que criou o serviço, disse que a população se aproximou aos poucos e o trabalho ganhou credibilidade. Para dar um exemplo da aceitação do Disque-Denúncia, ele fez a comparação de 2002 - janeiro a dezembro, com 69.018 denúncias - com 2001, quando, no mesmo período, houve 22.280 telefonemas.As informações recebidas, segundo Capobianco, são cada vez mais precisas e valiosas para a polícia. "O resultado obtido até agora dá uma demonstração de que é possível ter sucesso na luta contra a violência, a partir da parceria entre sociedade civil, polícia e governo. Quem vem denunciando está ajudando e não cometendo um crime."O campeão de denúncias é o tráfico de drogas. Somente em 2002, foram quase 30 mil telefonemas sobre pontos-de-venda e traficantes. Nos dois anos de Disque-Denúncia, as ligações apontando os traficantes alcançam 43 mil. O diretor do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), Ivaney Cayres de Souza, ressalta que nenhum caso passado pelo Disque-Denúncia deixa de ser apurado.As informações são mandadas para a Divisão de Inteligência do departamento, que faz o levantamento e verifica se existe uma investigação em andamento sobre a mesma denúncia. "Uma vez comprovada, saímos a campo para as prisões e apreensões", afirma. Além do Denarc, as informações sobre os traficantes e seqüestradores são enviadas também para a Polícia Militar e para distritos policias da capital, Grande São Paulo e interior.Os homicídios no ano passado ficaram em segundo lugar entre os crimes mais denunciados, com 4.019 telefonemas. As pessoas inconformadas com os criminosos que continuam nos bairros, próximos dos locais onde mataram, informam nomes, apelidos e endereços. As denúncias são encaminhadas para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e distritos.Um atendente do Disque-Denúncia explica que, se o criminoso continua no bairro após o telefonema, as pessoas voltam a ligar, insistindo na prisão. O número de denúncias sobre criminosos procurados pela polícia é grande. Em 2002 foram 597 os telefonemas sobre condenados. Os ladrões de bancos foram apontados em 149 ligações, as casas de prostituição estão em 79 registros e o trabalho forçado, em 53 denúncias.O roubo de veículos, o porte ilegal de armas e o seqüestro são crimes denunciados quase todos os dias. Bittencourt explica que toda informação é sempre bem recebida. Para ele, no caso dos seqüestros, todo cativeiro tem um vizinho. "Basta que as pessoas verifiquem o movimento da casa, o entra-e-sai, o horário de chegada e de saída dos moradores. Percebendo algo de anormal, devem telefonar para o Disque-Denúncia ou para a polícia. A maioria dos telefonemas que estamos recebendo tem dado resultado."O diretor do Deic explica que as equipes encarregadas da investigação tomam todo cuidado quando vão verificar uma denúncia. "Às vezes, pode ser vingança de um parente ou de um vizinho e não queremos cometer injustiça." No ano passado, foram recebidos pelo Disque-Denúncia 2.025 telefonemas, indicando seqüestradores, e 203 sobre cativeiros. "Em diversos endereços nos quais não encontramos seqüestradores ou vítimas acabamos apreendendo drogas, armas, munição e celulares, que nos auxiliaram na seqüência das apurações", revela Bittencourt.As denúncias têm permitido ainda o esclarecimento de chacinas, identificação de responsáveis pela falsificação e pirataria de software e CDs, de donos de desmanches envolvidos com furto e roubo de carros e de envolvidos com furto de energia e de fios, pontos de apostas do jogo do bicho e até roubo de tratores.Policiais e funcionários públicos acusados de corrupção e extorsão também são denunciados. Foram 355 casos de corrupção e 80 de extorsão relatados em 2002. O Disque-Denúncia recebeu 11 ligações elogiando a polícia.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.