Disse que era policial e foi fuzilado pelos bandidos

O delegado Lauro dos Santos Lima Júnior, de 42 anos, foi morto por ladrões com dois tiros, um deles no coração, no fim da noite desta quinta-feira, na Rua Baltazar Gomes de Alarcon, no Jardim Miriam, zona sul de São Paulo.Santos Lima era titular do 97º Distrito Policial, de Americanópolis, e estava à procura dos assassinos do carcereiro Mário Vicente Júnior, de 33 anos, morto horas antes.O delegado foi atacado por quatro rapazes que pretendiam roubar seu Ômega. Lima estava com o escrivão-chefe da delegacia e, ao descer, identificou-se como policial. Os quatro ladrões passaram a atirar.Lima aplicou o que ensinava aos aprendizes na Academia de Polícia: não atirar nas partes letais. Ele acertou a mão de um dos ladrões, L.A.N., de 17 anos. Mas os assaltantes deram muitos tiros na direção do delegado, que morreu no Hospital do Jabaquara. O menor acabou preso de madrugada no Hospital-Geral de Diadema, onde alegou que fora assaltado.Depois, na Seccional Sul, indicou os cúmplices. Com seus colegas, pretendia assaltar os ocupantes do Ômega para conseguir dinheiro e comprar crack e cocaína. "A gente nem imaginava que o motorista era delegado."O menor é acusado de ter sido o autor dos tiros, mas ele disse que "todo mundo atirou."No começo da noite desta quinta-feira, o carcereiro Mário Vicente Júnior chegava em sua casa, na Rua Carlos Fachina, em Americanópolis, quando foi atacado por dois homens. Ele recebeu cinco tiros e acabou morrendo.O titular da Seccional Sul, Olavo Reino Francisco, declarou que Vicente foi vítima de uma tocaia. "Era um dos mais eficientes do distrito e acredito ter sido vingança."Ao saber da morte do carcereiro, Lima resolveu investigar. Reuniu os chefes dos investigadores, e o grupo seguiu em dois carros particulares, para o km 18 da Rodovia dos Imigrantes, em Diadema.Ele acreditava que se usasse carros da polícia a investigação seria prejudicada. Uma testemunha informara à PM que os autores do crime tinham sido vistos saindo de uma van na Favela do Jardim Ruyce.No local, o delegado localizou o perueiro citado, que nada sabia do caso. Os dois suspeitos eram passageiros. Os policiais decidiram voltar para o 97º DP. Mas o Ômega do delegado passou a ser seguido por uma moto. Perto de uma favela, o motoqueiro sinalizou para quatro homens que tinham saído de uma viela.Eles apontaram as armas para o carro do delegado e mandaram parar. "Lauro desceu, disse que era delegado, e os quatro atiraram nele", explicou Reino Francisco.Para o seccional, não existe relação entre as mortes do delegado e do carcereiro. "Foi uma fatalidade." Lima foi enterrado nesta sexta-feira no Cemitério de Vila Alpina e Mário Vicente Júnior, no Cemitério de Santo Amaro.

Agencia Estado,

19 de outubro de 2001 | 21h36

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