Distribuição de água no Ceará vive crise por falta de verbas

O sistema de distribuição de água para os 50 mil moradores do município de Itapagé, no sertão do Estado do Ceará, a 122 quilômetros de Fortaleza, opera apenas com quatro caminhões-pipa. O último reservatório da cidade secou há vários meses por causa da estiagem. As pessoas se empurram em frente aos tanques quando cada caminhão chega para abastecer a cidade. A distribuição, que é feita por homens do Exército, no início de setembro do ano passado atingia 129 cidades cearenses. Agora chega a somente 69. A situação pode piorar, pois o governo suspendeu o abastecimento por caminhões-pipa por causa da falta de recursos. Desde dezembro do ano passado a verba do governo federal para a distribuição de água foi reduzida pela metade. "Se não for esse água, nós não temos água", disse a agricultora Elinete Mesquita. Segundo os moradores, os caminhões demoram muito para chegar à cidade. "O último veio na semana passada", afirmou Maria Peres da Silva, que também sobrevive com a agricultura. Na quarta-feira, prefeitos, agricultores e sindicalistas fizeram uma manifestação contra a suspensão, por parte do governo, do serviço de abastecimento por carro-pipa. "Estamos em pleno século XXI, mas nós precisamos sim desses carros-pipa para suprir a necessidade das vítimas da estiagem", declarou Fradique Accioly, presidente da Associação dos Prefeitos do Ceará. O Ministério da Integração Nacional, em nota, afirmou que a Operação Carros-pipa ficará suspensa enquanto o Congresso não aprovar o orçamento para 2006.

Agencia Estado,

02 Fevereiro 2006 | 02h08

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