Distrito Federal e 8 Estados elegem hoje seus governadores

Em Brasília e no Amapá, escândalos atingiram os chefes do Executivo; em Alagoas, Lessa recebe o apoio de Fernando Collor

Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2010 | 00h00

Menos de um ano após o escândalo do mensalão do DEM, que levou à cadeia e derrubou José Roberto Arruda (ex-Democratas) do cargo de governador, o Distrito Federal tem marcado para hoje, Dia das Bruxas, um reencontro com alguns de seus fantasmas. Em segundo turno, os eleitores da capital do País vão escolher quem será o novo ocupante do Palácio do Buriti, sede do governo brasiliense. Estão na disputa Agnelo Queiroz (PT) - político experiente, ex-comunista, acusado de irregularidades quando era ministro do Esporte - e Weslian Roriz (PSC) - novata em eleições e mulher de Joaquim Roriz, ex-governador apontado como um dos responsáveis pela ocupação irregular do solo urbano na capital e chefe de um grupo dominante na política local há duas décadas.

Um dos nove locais com segundo turno na escolha do governador (18 Estados resolveram a disputa por seus governos no dia 3, em primeiro turno), a eleição brasiliense tem peculiaridades notáveis. A começar pelo próprio mensalão do DEM, denunciado por vídeos feitos por um secretário do DF, Durval Barbosa (Relações Institucionais), ligado a Roriz, mostrando políticos recebendo dinheiro. Até Arruda foi filmado embolsando R$ 50 mil.

Outra surpresa é a candidatura de Weslian, lançada pelo marido, até então candidato, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o julgamento da Lei da Ficha Limpa, em setembro. Roriz dependia da decisão para disputar. Weslian foi registrada como "Roriz" e, inexperiente, se atrapalhou em entrevistas e debates, em erros que repercutiram na internet. "Vou defender toda aquela corrupção", chegou a dizer. Mas conseguiu passar ao segundo turno, muito atrás de Agnelo.

O Distrito Federal é provavelmente a única chance de vitória petista nas unidades da Federação que terão segundo turno. Em outro Estado onde o PT disputa a segunda rodada de votação, a governadora Ana Júlia Carepa, candidata à reeleição, tem chances reduzidas na disputa contra Simão Jatene (PSDB). Ela teve 36,05% dos votos, contra 48,92% do adversário. Carepa protagonizou um governo marcado por denúncias, como a de uma menor que ficou presa em uma cela com 20 homens, que a estupraram. Houve ainda problemas na área ambiental - o Estado integra o chamado arco do desmatamento, onde a derrubada de árvores e as queimadas de florestas são mais intensas.

No Amapá, assim como no DF, o eleitorado votará sob impacto de um escândalo político que já produziu efeitos eleitorais. O governador Pedro Paulo Dias (PP), que era candidato à reeleição, foi preso em setembro, acusado de desvio de recursos, e ficou em quarto no primeiro turno. A disputa hoje será entre Lucas Barreto (PTB) e Camilo Capiberibe (PSB).

Em Goiás, enfrentam-se dois ex-governadores: Marconi Perillo (PSDB) e Iris Rezende (PMDB), em uma campanha cheia de ataques do tucano ao governador Alcides Rodrigues (PP). Também haverá disputa hoje nas urnas em Rondônia (Confúcio Moura, do PMDB, contra João Cahulla, do PPS) e em Roraima (Neudo Campos, candidato do PP, contra Anchieta Jr., do PSDB).

O PSB disputa dois dos três segundos turnos do Nordeste. Na Paraíba, o socialista Ricardo Coutinho enfrenta o governador José Maranhão (PMDB), candidato à reeleição. Já no Piauí brigam pelo governo Wilson Martins (PSB) e Silvio Mendes (PSDB). Em um terceiro Estado nordestino, Alagoas, o segundo turno é entre o governador tucano Teotônio Vilela (PSDB) e o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT). O pedetista tem o apoio de outro ex-governador, Fernando Collor (PTB), de quem já disse no passado: "Lúcifer voltou".

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