Distrito Federal lidera ranking de devolução de armas de fogo

Governo estima que são 17,6 milhões de armas de fogo espalhadas pelo País; mais de 10 milhões são ilegais

estadao.com.br,

15 de outubro de 2009 | 11h00

O Distrito Federal lidera o ranking de devolução voluntária de armas de fogo, segundo balanço parcial divulgado pela Subcomissão de Armas e Munições da Câmara dos Deputados, a organização não governamental (ONG) Viva Rio e a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. O Ranking dos Estados no Controle de Armas mostra o desempenho das 27 unidades da federação no controle de armamentos e munição e no combate ao tráfico ilegal.

 

Veja também:

especial ESPECIAL: Ranking de devolução de armas

 

No estudo, o governo estima que são 17,6 milhões de armas de fogo espalhadas pelo País, sendo que 10,1 milhões estão em situações ilegais. Destas, 6 milhões seriam usadas pelo crime organizado. Das armas no País, apenas 2 milhões estão em posse do Estado - segurança pública e forças armadas.

 

Liderar o ranking, segundo o diretor da Viva Rio Antônio Rangel, não significa necessariamente que a situação da capital federal seja satisfatória. "Isso é apenas uma comparação com outros Estados. Para termos uma visão mais realista, seria necessária uma comparação com outros países. Se isso fosse feito, chegaríamos a uma conclusão não tão positiva", disse Rangel.

 

Na chamada "Campanha 2", feita em 2008, o Distrito Federal teve uma taxa de 40,2 armas de fogo entregues para cada 10 mil habitantes, o que representa 9.657 armas entregues. O número equivale a 53% do total das 18.121 armas entregues durante a campanha. Mato Grosso foi o único Estado que não teve registro de armas de fogo entregues. Santa Catarina e Acre foram os 2º e 3º estados no ranking de devolução, com um índice de 1,3 e 1 arma entregue para cada 10 mil habitantes. São Paulo aparece com um índice de 0,7 armas para cada 10 mil pessoas, o que representa a devolução de 2.835 armas.

 

"Nosso objetivo é gerar pressões para que os Estados superem suas deficiências. Infelizmente Rondônia, Sergipe e o Amapá [não forneceram as informações solicitadas para a pesquisa] não têm colaborado, e isso precisa ser divulgado para que a opinião pública os leve a tornar pública as informações", afirmou o presidente da subcomissão, deputado Raul Jungmann (PPS-PE).

 

Segundo ele, de posse de informações sobre fabricação, lojas de revenda e entidades que compraram as armas é possível identificar como elas foram parar nas mãos de criminosos. "Boa parte tem como origem a própria polícia e em lojas autorizadas", disse Jungmann.

 

Mortes por arma de fogo

 

O relatório apresentado nesta quinta também aponta o índice de mortes causadas por armas de fogo no País. O Rio de Janeiro é o Estado que tem mais mortes deste tipo para cada 100 mil habitantes. O ranking leva em conta o número de mortes entre 1996 e 2006.

 

O Rio aparece com uma taxa média de 46 mortes para cada 100 mil habitantes; em seguida, aparece Pernambuco, com 44,2 mortes para cada 100 mil pessoas. Em terceiro está o Espírito Santo, com índice de 35,8; Distrito Federal, com 27,1; e Rondônia, com 25,5; São Paulo tem índice de 22 mortes causadas por armas de fogo para cada 100 mil habitantes.

 

Apreensão

 

O ranking também aponta o número de armas apreendidas no País nos últimos 10 anos, com ênfase no período entre 2003 e 2006. São Paulo teve a maior quantidade de armas apreendidas na média anual, num total de 38.696, seguido pelo Rio de Janeiro, onde 13.663 armas foram recolhidas.

 

No entanto, o ranking leva em conta o número de armas apreendidas em relação ao número de disponibilidade de armas por Estado. Assim, a Bahia lidera o ranking, com uma taxa de 21,1 mil armas apreendidas para cada 1.000 habitantes. Em seguida aparece MG, com 18,3 mil armas e Rio de Janeiro, com 16,1 mil armas para cada 1.000 habitantes.

 

Este é o primeiro estudo do desempenho do Poder Público nessa área após a aprovação do Estatuto do Desarmamento. O levantamento também visa a rastrear o caminho percorrido pelas armas ilegais e a identificar os principais canais utilizados por traficantes e contrabandistas.

 

(Com Agência Brasil)

 

Texto ampliado às 15h28 para acréscimo de informações.

Tudo o que sabemos sobre:
armas de fogodesarmamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.