Dividida, extrema esquerda terá mais tempo que coligada

Com candidatos próprios, PSOL, PSTU e PCB devem ter 2 minutos no horário eleitoral, mais do queo dobro de 2006

, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2010 | 00h00

O PSOL, o PSTU e o PCB, três dos micropartidos que lançarão candidatos próprios à Presidência, terão, somados, 2 minutos no horário eleitoral. Se repetissem a coligação que os uniu há quatro anos, teriam apenas 51 segundos.

As legendas, porém, negam que a pulverização das candidaturas no campo da extrema esquerda ? o PCO também lançará candidato ? seja uma forma de ganhar espaço na televisão. "Não houve nenhuma combinação. A divisão em vários candidatos pode até nos dar uma soma de tempo maior, mas não foi isso que nos motivou", disse Ivan Pinheiro, pré-candidato pelo PCB.

Segundo o presidenciável Zé Maria, do PSTU, os ex-aliados do PSOL acharam "radical demais" a proposta de recusar qualquer doação de campanha de empresas ou empresários. "Não chegamos a um acordo sobre um programa de governo socialista."

O PCB afirma que se decidiu pela candidatura própria por considerar que a aliança de 2006 em torno de Heloísa Helena (PSOL) foi meramente eleitoral, e não programática. "Jamais confrontamos nossos pontos de vista sobre qualquer tema, sendo que temos divergências, algumas inconciliáveis", diz um documento dos comunistas, que defendem "a construção de uma frente anticapitalista e anti-imperialista para além do economicismo e das eleições". O PSOL, apesar de seu tamanho reduzido, não conseguiu evitar divisões a respeito da estratégia eleitoral. Parte da legenda queria aliança com Marina Silva, do PV, mas foi derrotada pelo grupo que lançou Plínio de Arruda Sampaio.

Já o PCO, que terá como candidato Rui Costa Pimenta, jamais cogitou aliança com a "esquerda pequeno-burguesa" que identifica no PSOL, no PCB e no PSTU, todos "completamente iludidos pelo circo eleitoral burguês", segundo texto publicado na internet.

O PSDC terá 38 segundos para expor o veterano em eleições José Maria Eymael, cuja proposta é chegar ao poder para "transformar o Estado de senhor em servidor". Américo de Souza, do PSL, disse que vai contornar o problema do parco tempo no horário eleitoral (também 38 segundos) com viagens. "Em um Estado como o Maranhão, por exemplo, só o fato de alguém ir lá como candidato à Presidência já é notícia."

Pelo PT do B, o advogado e engenheiro Mário de Oliveira será o único candidato negro, mas pretende deixar em segundo plano a questão racial na campanha. Seu inspirador é o norte-americano Barack Obama, com quem se compara, em tom de brincadeira: "Sou filho de pai negro e mãe branca, e até morei no Quênia. Só me faltou a Indonésia", disse ele ao Estado, em dezembro.

Oscar Silva, do PHS, quer buscar no Supremo Tribunal Federal uma saída para ganhar mais do que 38 segundos no rádio e na TV. "Só partidos que têm candidatos devem ter tempo no horário gratuito", alega ? tese que, se aceita, reduziria poder de barganha de legendas que negociam segundos e minutos no mercado eleitoral. / D.B.

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