Dividido, PT negocia substituto para Luiz Sérgio antes de demissão oficial

O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) ainda está sentado na cadeira de ministro de Relações Institucionais, mas é peça fora do governo. Humilhado com o processo sucessório deflagrado "antes da hora" por seus próprios companheiros de PT na Câmara, o ministro "por enquanto" tem um encontro hoje com a presidente Dilma Rousseff para decidir o futuro da articulação política do governo.

Christiane Samarco e Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2011 | 00h00

Ontem, assessores do Planalto cogitavam os nomes do deputado Pepe Vargas (PT-RS), da ministra da Pesca, Ideli Salvatti (PT-SC), e do líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), como substitutos de Luiz Sérgio.

Petistas e aliados têm pressa de concluir a formatação do novo esquema de articulação política do governo e negociavam ontem nos bastidores, sem constrangimentos, a substituição de Luiz Sérgio, que deixou claro o desconforto (veja texto abaixo). Mas o PT sabe que a presidente é quem definirá o "timing" da sucessão. A bancada petista da Câmara, que disputa o posto de interlocutor do Planalto em clima de racha interno, passou as últimas horas empenhada em fechar um acordo para indicar o sucessor de Luiz Sérgio.

Ao final do dia, no entanto, não havia sequer a garantia de que um eventual entendimento seria acatado por Dilma. Apesar da expectativa de uma definição ainda hoje ou no fim de semana, o clima no PT é de preocupação.

Um dirigente do partido que acompanha de perto as negociações admite que Luiz Sérgio pode ter de prolongar sua estada no ministério por mais uma semana, até que o Planalto encontre uma solução.

Interlocutores da presidente apontam dois problemas na busca do entendimento. Primeiro, Dilma ainda não está convencida de que a bancada do PT na Câmara consiga encontrar um nome consensual para o posto que pacifique as brigas internas, de modo que não haja risco de o racha interno ser levado ao gabinete presidencial nem de arrastar a crise com nova perspectiva de fogo amigo. Em segundo lugar, a presidente tem dúvidas de que o eventual acerto produzido na Câmara seja útil ao governo.

Segundo um dirigente petista, é nesse contexto que a presidente pode até adotar uma "solução exógena", isto é, fora da bancada da Câmara e fora do núcleo petista de São Paulo.

Nesse modelo, o nome mais cotado ontem era o da ex-senadora e atual ministra da Pesca. O PT do Senado está fora dessa disputa porque entende que a vez é dos deputados, já que os senadores se consideram contemplados com a escolha da colega Gleisi Hoffmann (PT-PR) para substituir Antonio Palocci na Casa Civil.

Dianteira. Diante da dificuldade de produzir um consenso interno, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), se adiantou. Ele vinha se articulando nos bastidores com governistas para substituir Luiz Sérgio, mas ontem passou a exibir a simpatia de líderes aliados, sobretudo do PMDB, como um trunfo para sensibilizar Dilma.

Para ganhar pontos na disputa contra o grupo do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), Vaccarezza visitou e se deixou fotografar ao lado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), do líder peemedebista na Casa, Renan Calheiros (AL), e do líder petebista e senador Gim Argello (DF).

Na tentativa de forçar Maia a "engolir" o acerto, ainda fez a articulação casada com o futuro da liderança do governo, pela qual o deputado Pepe Vargas (PT-RS), amigo do presidente da Câmara, seria seu sucessor.

Maia está conversando, mas seu grupo, incluindo aí o líder da bancada petista Paulo Teixeira (SP), insiste no nome do deputado e ex-presidente da Casa Arlindo Chinaglia (PT-SP) para o ministério, com o discurso de que a distribuição interna de poder está desequilibrada.

Divisão petista. O racha na bancada explicitou-se na disputa pela presidência da Câmara, em que Vaccarezza foi vencido por Maia e seguiu na liderança. O "desequilíbrio" de que o presidente da Casa reclama é o fato de o comando da articulação política do governo ter continuado nas mãos do grupo de Vaccarezza.

O desafio de Dilma é montar um novo esquema de articulação que promova a costura interna. Um petista do grupo de Maia advertiu ontem que "não haverá governabilidade na bancada se ela não estiver representada no novo time".

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