Divulgação de bloqueio de contas do PCC irrita Ministério da Justiça

A postura do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu, após a reunião de quinta-feira, 24, do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) irritou a cúpula do Ministério da Justiça. Segundo uma fonte do Ministério ouvida pela Agência Estado, Saulo errou ao informar à imprensa sobre a estratégia de tentar bloquear as contas do PCC para estancar o financiamento da facção criminosa, pois dará tempo de os criminosos agirem para se defender dessa ação. De acordo com a fonte, na reunião, foi fechado um acordo para que a estratégia de bloqueio das contas - que visa minar as finanças da facção - ficasse em sigilo, para evitar que os criminosos movimentassem o dinheiro e escapassem do bloqueio.Como a informação foi divulgada na própria quinta-feira, 24, nas agências de notícias, o governo federal teme que a estratégia perca a eficácia, já que não se espera que o PCC fique imóvel.Na reunião do GGI, Saulo entregou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), vinculado ao Ministério da Fazenda, e ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), vinculado ao Ministério da Justiça, uma listagem com 412 contas correntes, de poupança e aplicações financeiras que servem ao crime organizado em São Paulo.Essas contas estariam no nome de 110 pessoas envolvidas com o crime. Mas o bloqueio das contas não é imediato, exige autorização judicial, que é dada somente após a comprovação de que os titulares estão associados ao crime organizado. Para o ministério da Justiça, por conta desse espaço entre rastreamento e bloqueio efetivo das contas, a informação sobre a estratégia não poderia ter vazado.

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