DJ do Black Eyed Peas dá festa no Capão

Motiv8 aproveitou a semana do Natal para participar de workshop com alunos da Fábrica de Criatividade

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

24 de dezembro de 2008 | 00h00

Cleiton da Silva estava atribulado na noite de anteontem. Era dia de festa na Fábrica de Criatividade, espaço cultural e de ensino fundado em maio de 2005 no Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Enquanto pouco mais de 20 garotos - os chamados b-boys -, muitos deles alunos da Fábrica, dançavam break na entrada do belo prédio envidraçado de 4 andares, Cleiton subia e descia com caixas e mais caixas de sucos e petiscos para oferecer na lanchonete. A movimentação intensa, um pouco acima do normal, devia-se à chegada do DJ Motiv8, conhecido por sua atuação no grupo americano Black Eyed Peas há cerca de 15 anos. Ele está no Brasil há uma semana e ficará por mais cinco para apresentações. Durante esse tempo, quer aproveitar para conhecer mais de perto o alcance do movimento que ajuda a divulgar, o hip hop."Deixei minha família para trás, mas me sinto sempre em casa no Brasil. Quero ter a chance de conhecer artistas e grupos brasileiros para quem sabe no futuro realizarmos trabalhos juntos", disse o americano que nasceu e mora em Los Angeles e foi levado ao Capão por meio de uma rede de amigos para comemorar a formação da primeira turma da escola de DJ, idealizada por William Ribeiro e Ramilson Maia. Motiv8 estava lá para dar um workshop e mostrar um pouco do que produziu em 23 anos de carreira, o que acabou transformando o auditório em uma balada bem agitada. Antes de tudo, o DJ assistiu e ficou deslumbrado com a performance dos alunos de break da escola, que formaram o grupo Freestyle Da Sul. "Da próxima vez que eu vier ao Brasil, quero vocês se apresentando comigo", prometeu, levando a galera ao delírio.O DJ, que já produziu músicas para Madonna (no álbum Ray of Light), Billy Idol, Kylie Minogue e The Corrs, mostrou-se bastante solícito para responder a questões sobre sua carreira, influências musicais, novos projetos e até sobre Barack Obama. "Para mim, é indiferente o fato de o candidato ser mulher ou homem, branco ou negro. Só espero que Obama faça o mundo voltar a funcionar pacificamente", ponderou sobre a pergunta de Sandra Cássia, de 35 anos, que há 8 meses participa do curso de produção cultural, mesmo tempo que seu filho Gustavo Haakin, de 8, aprende o conceito de robótica com brinquedos.Entre uma pergunta e outra, foi possível encontrar os olhinhos de Cleiton passeando atrás de cabeças que lotavam a entrada do auditório. Em poucas palavras, a história pode ser resumida assim: Cleiton da Silva, de 24 anos, construiu o sonho alimentado há pelo menos dez anos por Denílson Shikako, de 32, e que ganhou ainda mais força quando seu pai foi assassinado em 2000, vítima de assalto. Cleiton, hoje coordenador operacional, foi ajudante de seu pai, o mestre-de-obras José da Silva, de 45, na construção da Fábrica de Criatividade, em 2003. Em dois anos, estreitou o laço de amizade com Denílson, que o ensinou a tocar piano. "Agora que aprendi, ensino os jovens lá da minha igreja, em Parelheiros." Isso nas horas vagas em que não atende na recepção e cuida da escola de pós-graduação em sonhos.

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