DJ não-fumante para, sim, de fumar

Exposição afeta os profissionais

, O Estadao de S.Paulo

25 Julho 2009 | 00h00

Assim que levou as chapas com o resultado das radiografias ao seu pneumologista, no ano passado, o DJ Valter Nú, de 41 anos, ouviu do doutor frase que, "sinceramente", não esperava: "Há uma mancha no seu pulmão. Você tem de deixar imediatamente de fumar." Acontece que Valter, há 16 anos discotecando na noite paulistana, simplesmente, não cultiva o hábito de fumar. Trabalhando em média cinco noites por semana em casas noturnas esfumaçadas e sentindo sintomas como febre, falta de ar e tosse intermitente ao longo de todo o dia, o DJ resolveu procurar ajuda médica. Para que se curasse - além do pedido para "parar de fumar" -, ouviu que teria de "dar um tempo" e se tratar. Resultado: por três meses, entre abril e julho do ano passado, teve de deixar de trabalhar, para evitar exposição à fumaça, e fazer tratamento à base de antibióticos. Fora das casas noturnas por três meses, viu a mancha de 5 centímetros diminuir até sumir - no meio tempo, deu aulas de discotecagem no Senac para pagar as contas. Hoje, trabalha menos (quatro noites por semana) e escolhe baladas mais arejadas para trabalhar. "Ainda assim, não é o que indica meu médico." Discotecando no Studio SP, na Rua Augusta, na madrugada de sexta-feira, o DJ comemorou a nova lei. "Já trabalhei em países onde a legislação impede cigarro em baladas, como na França e na Alemanha. O pessoal respeita, sai da discoteca para fumar. A balada fica mais ?clean?." Outros DJs contam ter sofrido com o mesmo problema. Em um ano, Luiza K., que discoteca em casas como Grazie Dio, na Vila Madalena, e Uranus, no centro, enfrentou dificuldades para dormir - assim que a DJ (não-fumante) deitava após o trabalho, mal conseguia, aliás, respirar. Nessas ocasiões, Luiza tinha de ir às pressas ao hospital para fazer inalação de oxigênio, soro fisiológico e antibióticos. "Puxava o ar e não vinha nada." Ainda trabalhando seis noites por semana, a DJ, de 40 anos, tenta aliviar a rotina ao permanecer o mínimo possível dentro das casas noturnas. "A banda começa a tocar e eu saio, para longe da multidão", conta. "Optei por respirar."

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