Do ex-presidente para a eleita

Durante palestra, Fernando Henrique sugere a Dilma que seja cautelosa com o Congresso

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2010 | 00h00

Em palestra proferida ontem em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aconselhou a presidente eleita, Dilma Rousseff, a tomar todas as precauções possíveis nas suas relações com o Congresso no primeiro ano de governo. Baseado na sua experiência, disse que os congressistas, assim como os cavalos, logo sabem se o cavaleiro sabe montar ou não.

"O Congresso logo percebe se o novo governo vai governar ou não. Se a resposta for positiva, sabe que negocia, mas com limites. Se perceber, porém, que o governo não conduz a agenda, trata de paralisar a agenda e o País entra em crise", disse. "Vamos torcer para que ela se equilibre de maneira satisfatória."

O ex-presidente disse que, embora não conheça Dilma pessoalmente, sabe que ela é conhecida por ser teimosa, mas também racional. "Vamos ver agora qual desses lados vai prevalecer", afirmou, ao tratar do dilema que a presidente terá que enfrentar entre pisar no acelerador do crescimento sob o risco de açular a inflação, ou frear a expansão.

"Na hora da onça beber água, é o presidente quem decide. A doutora Dilma terá que decidir. Se prevalecer a teimosia e a emoção, acelera", disse.

Ele foi elegante quando lhe perguntaram se considera a política fiscal a herança maldita de Dilma: "Não gosto dessa expressão, que inventaram para me criticar, embora tenham usado minha herança o tempo todo. Não temos uma herança maldita. Estamos avançando."

De modo tranquilo, Fernando Henrique deu a entender à plateia, formada por executivos do setor de cartão de crédito, que, apesar dos reajustes que deverão ser feitos em decorrência da conjuntura internacional, o crescimento econômico não é sua maior preocupação. O que deve preocupar todo mundo, disse, são deficiências na área de aeroportos e de energia elétrica, no sistema educacional, no Judiciário e na segurança pública.

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