Do Rio a São Paulo: 33 dias pela mata fechada

Conde francês foi o primeiro a fazer a viagem de automóvel, enfrentando lama e improvisando pontes

Michel Escanhola, O Estadao de S.Paulo

14 de abril de 2008 | 00h00

Ainda era madrugada, quando o conde francês Lesdain deixou a cidade do Rio de Janeiro, no dia 7 de março de 1908. Mais precisamente, eram 3h30. Acompanhado dos motoristas Henri Trotet, Gaston Conte e Albert Vivés, o conde começou a enfrentar seus primeiros obstáculos, com menos de uma hora de viagem. A bordo de seu Brassier de apenas 16 cv - estima-se que este veículo tenha sido fabricado em 1905 -, os aventureiros enfrentaram lamaçais com cerca de 1 metro de profundidade. E isso era apenas o começo, pois ainda restavam cerca de 700 quilômetros pela frente.Mesmo com a ajuda do major Luiz Barbosa da Silva, que se juntou ao grupo pelo caminho, os desafios de cruzar a mata fechada continuaram a aparecer. Agora com cinco pessoas, o grupo conseguiu improvisar pontes com o auxílio de madeiras e pedras. Dificuldades que o próprio Lesdain descreveu ao Estado em 13 de abril de 1908, um dia depois de chegar à capital. "Grande parte dos dias andava-se menos de uma dezena de quilômetros, tamanha a mata fechada. Houve um trecho em que demoramos 36 horas para cruzar 3 quilômetros."Segundo seus relatos, muitas vezes os aventureiros dormiram ao relento. "Certa vez, um descontente negou-nos hospedagem e mesmo uma ligeira refeição, dizendo que só quem não tinha juízo se metia por estas estradas. Isto é só de vagabundos", dissera o conde.O término da primeira e mais ousada aventura de carro no Brasil ocorreu em 12 de abril, às 17h24, nas imediações da Igreja da Penha. Nada menos que 33 dias depois de ter deixado a cidade do Rio de Janeiro.

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