Doam-se 150 mil litros de água tratada

Piscina de prédio tem de ser esvaziada; Sabesp recusa oferta

, O Estadao de S.Paulo

01 Agosto 2009 | 00h00

Os moradores do condomínio Spazio Club, na Rua Rio Grande, Vila Mariana, zona sul de São Paulo, querem evitar o desperdício, mas não têm mais a quem recorrer. A reforma da piscina do prédio, que tem 25 metros de comprimento por 4 de largura, torna inevitável a perda de 150 mil litros de água. Uma doação foi oferecida ao Corpo de Bombeiros, à Secretaria Municipal de Serviços e à Sabesp. Todos recusaram.O transporte e a coleta do volume de água oferecido torna a doação inviável, segundo a Sabesp. A cidade não tem estrutura para evitar o desperdício e a questão ambiental se torna um problema econômico. De acordo com a Sabesp, o custo envolvido na coleta da água não compensa a doação e nem o desperdício, que é inevitável. Foi a jornalista Nice Ribeiro quem começou a mobilizar seus vizinhos. Moradora de um prédio vizinho, ela procurava um novo condomínio com hidrômetros individuais, uma maneira de tornar a sua economia diária de água benéfica para o bolso. "Tenho muito cuidado com o desperdício de água na minha casa. Pago pelos que não têm o mesmo cuidado que eu em meu condomínio." Ao visitar o Spazio Club, ela ficou sabendo da situação e resolveu ajudar.Para a síndica do edifício, Vanessa Leite César, jogar fora 150 mil litros de água é um absurdo. "É um volume enorme de água tratada. Pode ser reaproveitada. Em época de discursos sobre sustentabilidade, é um absurdo que essa água vá para o esgoto."Uma vez na rede de esgoto, a água passará por tratamento nas redes da Sabesp e será vendida à Secretaria Municipal de Serviços para realizar a limpeza de vias públicas. De acordo com a Sabesp, são empresas especializadas em serviços ambientais que recolhem, nas centrais de abastecimento, a água de reúso, como é chamado o produto do tratamento de esgotos. Por trabalhar com empresas terceirizadas, a própria Secretaria de Serviços não pode aceitar a doação.A doação aos bombeiros também se tornou impossível. Não há estrutura para armazenamento de água. Para combater incêndios os bombeiros deixam os caminhões, com capacidade para 20 mil litros, completamente cheios. "Não conseguimos doar para ninguém essa água. Evitar o desperdício tem se tornado um problema", conta o zelador do Spazio Club, Odemir Padovan."Não existe uma política pública que incentive o aproveitamento da água. Mesmo com campanhas educacionais e com uma população consciente, falta o apoio dos órgãos públicos", diz o presidente da Universidade da Água, Gilmar Altamirano. Para evitar um desperdício dessa dimensão, segundo ele, é preciso planejamento. "Essa água deveria ser utilizada para serviços no próprio condomínio, como lavagem de áreas comuns. Se o prédio tiver estrutura moderna, pode usar a água nas descargas dos apartamentos." Mas essa, segundo ele, é uma solução "complexa". O uso local é também recomendado pela Sabesp.

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