Docentes vão recorrer contra datas do vestibular

A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Asdufrj) deve questionar na Justiça a decisão do reitor José Henrique Vilhena de manter o cronograma inicial do vestibular, que prevê provas nos dias 28 de outubro, 11 e 18 de novembro.Na terça-feira, o Conselho de Ensino e Graduação (CEG) da UFRJ havia decidido, em assembléia, o adiamento dos exames para os dias 22 e 27 de janeiro e 3 de fevereiro. Vilhena, porém, ignorou o CEG e manteve as datas fixadas anteriormente pelo edital.?A responsabilidade administrativa sobre o vestibular é do reitor, mas nossa preocupação é com a lisura do concurso. Sem os servidores, como será feita a fiscalização das provas? Estamos muito preocupados com a possível tercerização do vestibular?, afirmou a vice-presidente da Asdufrj, Cleusa Santos.?Com o adiamento para janeiro, poderíamos repor as aulas dos alunos dos colégios federais, que ficaram prejudicados com a greve.?Cleusa explicou que a entidade ainda estuda a melhor forma de questionar judicialmente a decisão de Vilhena.O reitor da UFRJ disse, nesta quinta-feira, que não voltará atrás na decisão, mas ele não adiantou se deverá ou não terceirizar a realização do vestibular.?Os candidatos e seus familiares podem ficar tranqüilos, porque as datas das provas são as que foram definidas no edital?, reafirmou.O vestibular da UFRJ teve neste ano 57 mil inscritos. O concurso mobilizará 4.750 pessoas para fiscalização, transporte, segurança e atendimento médico.Segundo dados fornecidos pela assessoria da reitoria, a universidade já gastou R$ 2,4 milhões na produção do concurso.No fim da tarde desta quinta, depois de três horas de assembléia, os professores e funcionários da UFRJ decidiram estender a greve.Também à tarde, a bancada estadual do PT, liderada pelos deputados Paulo Pinheiro e Chico Alencar, realizou uma audiência pública, no plenário da Assembléia Legislativa do Rio.Cerca de 150 pessoas, entre sindicalistas, professores e servidores foram ao ato. Apesar de convidados, os reitores das universidades federais do Estado não compareceram.Segundo Alencar, a intenção é tirar um documento assinado pelos 70 deputados da Casa em defesa da reabertura das negociações entre os professores e o Ministério da Educação, suspensas desde que o ministro Paulo Renato Souza resolveu reter, na semana passada, o pagamento dos salários dos grevistas.?Esse documento será entregue pessoalmente ao ministro?, disse. Na audiência, o deputado também lançou um manifesto em defesa da universidade pública.A intenção é colher assinaturas de intelectuais, artistas e personalidades do Estado em favor do diálogo. O deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Universidade Pública, que reúne 300 parlamentares, disse que um importante passo para a reabertura das negociações foi dado nesta quarta-feira na reunião do ministro Paulo Renato e reitores de todo o Brasil, em Brasília.Bittar, que participou do encontrou, explicou que os parlamentares se comprometeram a remanejar R$ 400 milhões da proposta orçamentária de 2002 para o MEC. ?Com os R$ 350 milhões que o ministério diz ter em caixa, temos R$ 750 milhões, dinheiro suficiente para garantir a incorporação total da gratificação dos servidores técnico-administrativos das universidades?, explicou.O deputado disse também que a verba garantiria ainda a incorporação parcial da gratificação dos docentes das universidades e dos colégios e escolas técnicas federais.O juiz da 1ª Vara da Infância e da Juventude, Siro Darlan, deferiu, nesta quinta-feira, pedido do Centro de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet) e dos colégios Pedro II e Aplicação da UFRJ, adiando por mais cinco dias a entrega da lista dos nomes do professores em greve.Na segunda-feira, Darlan determinou multa diária de R$ 5 por aluno sem aula para os professores que não voltarem ao trabalho, mas para aplicar a punição é necessário que ele tenha a lista dos grevistas em mãos.?Quem sabe eles não dão um presente as nossas crianças, suspendendo a greve??, ironizou o juiz.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2001 | 18h06

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