Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Documentário de moradores mostra o 'outro lado' do Sol Nascente

Filme traz histórias de superação e de quem, mesmo em uma realidade social precária, consegue fazer a diferença na melhoria das condições de vida

André Borges e Luísa Martins, O Estado de S. Paulo

15 Janeiro 2017 | 03h00

Um passe de Lionel Messi e a finalização de Di María, aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação, deram a vitória por 1 a 0 para a Argentina e tiraram a Suíça da Copa do Mundo de 2014, em um duelo na Arena Corinthians pelas oitavas de final. Mesmo derrotada, porém, a delegação suíça decidiu fazer um pequeno gesto cultural em Brasília, onde a equipe ficou hospedada durante a primeira fase do mundial.

Da delegação suíça sairia o financiamento para os meninos da Rede Urbana de Ações Socioculturais (Ruas) bancarem um documentário sobre o Sol Nascente. O contato foi costurado pela Embaixada da Suíça e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (Unodc), parceiro da iniciativa social brasiliense. 

O filme não trataria apenas das mazelas e histórias de violência que reforçam o estereótipo negativo da região. "Queríamos mostrar o lado bom da comunidade. Um desafio foi fazer com que os moradores enxergassem as coisas positivas da região. Eles próprios estavam encharcados pela visão ruim que as pessoas em geral têm do Sol Nascente", diz Davidson Pereira, 31 anos, jornalista e morador da comunidade.

A contribuição suíça foi de R$ 40 mil. Depois de três meses de pesquisa, oito meses de filmagem e quatro meses de edição, Davidson e mais nove garotos conseguiram rodar um filme de 50 minutos sobre a favela. Estava pronto "O sol nasceu para todos".

O documentário dirigido pelo amigo Alan Mano K traz depoimentos de moradores. São histórias de superação e de quem, mesmo em uma realidade social precária, consegue fazer a diferença na melhoria das condições de vida da população. Para chegar ao resultado, foram ouvidas mais de 100 pessoas, entre os primeiros habitantes da região, catadores de material reciclado, vendedores de acarajé e líderes comunitários. 

"Não foi fácil. Quando chegávamos até as pessoas e contávamos que se tratava de um filme sobre o Sol Nascente, ouvíamos que isso era besteira. Então passamos a ir de casa em casa e perguntar qual era o sonho pessoal de cada um e o que desejavam para a comunidade. Só aí conseguimos avançar", conta Davidson.

Em julho, "O sol nasceu para todos" foi exibido no teatro Newton Rossi, no Sesc de Ceilândia. Davidson e seus amigos do programa social Ruas estão em busca de divulgação do material em outras regiões. Uma versão ampliada do documentário também está em andamento.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.