Documento final deve indicar mudanças

Cerca de 3 mil pessoas já analisam 26 princípios e 337 diretrizes

Bruno Paes Manso, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

29 Agosto 2009 | 00h00

Mesmo sem ter o objetivo de reformar as políticas públicas de imediato, as diretrizes aprovadas na Conferência Nacional de Segurança Pública devem dar legitimidade e força para que mudanças de médio prazo sejam feitas no setor. Por esse motivo, as corporações apostam nos resultados da conferência. "Defendemos a desmilitarização da PM e a unificação não para amanhã. Caso sejam aprovadas pela sociedade, nos próximos anos devem sair do papel", diz o delegado de polícia em São Paulo e diretor da Associação dos Delegados, André Dahmer. Desde ontem cerca de 3 mil pessoas, espalhadas em 40 salas, analisam 26 princípios (propostas com valores e linhas gerais) e 337 diretrizes (que detalham mudanças e rumos a serem seguidos). Todas as propostas foram divididas em sete eixos temáticos e no fim da conferência os participantes deverão escolher as 40 diretrizes e 10 princípios prioritários a serem seguidos nacionalmente. Os trabalhadores das corporações têm direito a 30% dos votos. Aparentemente, no cálculo dos entrevistados, a Polícia Civil é apoiada por um número maior de entidades (Polícias Federal e Rodoviárias e guardas-civis). A sociedade organizada, com 40% dos votos, segundo avaliações, tende a fechar pela desmilitarização. A expectativa é que os representantes do governos, com 30% dos votos, votem contra desmilitarizar. Ninguém arrisca, contudo, o resultado. "Não podemos dizer que toda a sociedade civil apoia a desmilitarização. Afinal, ainda não debatemos sequer o significado desse termo. O que significa desmilitarizar?", questiona a diretora do Instituto Latino-americano das Nações Unidas (Ilanud), Paula Miraglia. "Existem outras políticas mais relevantes a serem definidas." O resultado final será conquistado no varejo. Numa das salas em que se discutia o tema, 50 pessoas divididas em cinco grupos tentavam escolher as cinco propostas mais importantes do eixo temático que tratava da unificação e ciclo completo. Dois PMs estavam fardados e o restante dos participantes, à paisana. O intermediador dos debates era o produtor musical de um MC de rap de São Paulo. Com uma pastinha, o sargento Cândido, de São José do Rio Preto, tentava convencer os demais sobre as legitimidade das propostas da corporação que representa. "A absoluta maioria dos policiais nem era nascida quando a ditadura começou. O que a polícia tem é disciplina necessária para comandar 100 mil homens. Não devemos ser associados a esse período. Qual corporação comandava o Dops, o DOI-Codi, quem era o delegado Fleury?" Um delegado rebateu dizendo que o militar era na verdade um civil fardado e, por isso, a desmilitarização não deveria ser vista "como um bicho de sete cabeças". Caso sejam aprovadas na Conferência as medidas mais polêmicas, haveria ainda a necessidade de mudanças legais para que elas sejam implementadas. Uma série de projetos legislativos que tratam do tema está paralisada no Congresso e em Assembleias.

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