Documentos revelam farsa em empresas de ônibus de São Paulo

A polícia está investigando dez empresas de ônibus que podem estar envolvidas em irregularidades, como as encontradas na Transportes Urbanos Cidade Tiradentes (TUCT). Documentos que citam essas empresas foram achados pela polícia em uma pasta que deu origem à apuração que descobriu que um dos sócios da TUCT, José Matilde de Arruda, morreu seis meses antes de "adquiri-la", e o outro, Samy Gelman Jaroviski, de 63 anos, é "um conhecido estelionatário", segundo relatório da Delegacia de Atendimento ao Turista (Deatur).A empresa, que está em greve porque os funcionários não receberam os salários de janeiro, sofreu duas intervenções no ano passado da São Paulo Transporte (SPTrans), empresa da Prefeitura que administra o transporte na cidade. Durante a intervenção, a TUCT recebeu da SPTrans R$ 11,5 milhões.O empréstimo serviria para saneá-la. A última intervenção na empresa acabou em 22 de outubro de 2002. Em 6 de novembro, os quatro proprietários da TUCT venderam-na para Jaroviski e Arruda. Foi por acaso, no dia 25 de janeiro, que a pasta com os documentos chegou à Deatur.Policiais da delegacia estavam trabalhando na prova de mil milhas de Interlagos, quando foram chamados ao autódromo para apartar uma briga entre dois homens. Ao verem a polícia, os homens correram. Um deles, segundo o delegado Maurício Del Trono Grosche, abandonou a pasta. Nela havia uma arma e documentos.Um dos papéis chamou a atenção dos policiais. "Próxima empresa que iremos quebrar: Cidade Tiradentes Transportes Urbanos - zona leste", informava o texto. A polícia começou a investigar a empresa e descobriu que um dos sócios que constavam do contrato da TUCT era um lavrador de Itapeva (SP), que havia morrido em 22 de maio de 2002, o que foi confirmado com o depoimento da irmã do "laranja" usado na compra da empresa.O outro sócio, Jaroviski, foi procurado pela polícia na sede da empresa, na Estrada Santo Inácio, na zona leste, e em seu flat, na Alameda Santos, na zona sul, mas não foi achado. Em 12 de fevereiro, ele devia comparecer à Procuradoria Regional do Trabalho para dar mais informações sobre o acordo que havia sido fechado no começo do ano entre a empresa, os funcionários e a SPTrans."Ele não foi e mandou um atestado médico. O hospital já nos informou que o documento ou é falso ou foi feito fora do hospital, pois o médico que o forneceu não estava trabalhando naquele dia", disse Grosche. Nesse dia, a SPTrans ia apresentar à procuradoria os dados do fluxo de caixa da TUCT."Queremos saber o que a SPTrans fez na empresa durante a intervenção e quais foram os critérios para emprestar o dinheiro 14 dias antes da venda", disse o delegado. A polícia desconfia que a compra da TUCT foi um golpe. O objetivo seria levantar empréstimos bancários, apanhar o dinheiro das passagens e o do caixa e sumir, deixando na mão credores e trabalhadores."Além de Jaroviski, temos conhecimento de que outros estelionatários eram vistos na empresa. Alguns deles já responderam a processo com Jaroviski", contou o delegado.

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