Dois apagões atingiram Minas Gerais

O apagão que atingiu Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país provocou a perda de aproximadamente 70% da carga de energia oferecida pela Companhia de Energia Elétrica de Minas Gerais (Cemig) aos seus consumidores residentes em 744 municípios atendidos pela companhia. Isso fez com que dois terços da população ficassem sem energia elétrica a partir das 13h35m em todo o Estado por cerca de um hora. Em Belo Horizonte, o principal reflexo da falta de energia foi visto nos principais corredores de trânsito da cidade. Além disso, todo o transporte metroviário também ficou interrompido.Conforme o presidente da Cemig, Aloísio Vasconcelos, o apagão atingiu metade da capital mineira e, principalmente, a Região Norte do Estado, que registrou falta de luz até o começo da noite desta segunda-feira."O problema ocorreu em alguma parte do sistema entre as hidrelétricas de Itaipu e Furnas, mas fora das instalações geridas pela companhia", garantiu.Quando o blecaute em Minas começou a ocorrer, a Cemig enviava para seus consumidores 4.742 MW. Em função da proteção do sistema, a carga caiu para o mínimo de 1.466 MW às 13h37 minutos.Conforme a BHTrans, empresa responsável pelo trânsito em Belo Horizonte, todos os semáforos apagaram em seguida, causando grandes congestionamentos nos principais corredores de trânsito da cidade.Após cerca de 30 minutos, 80% dos sinais voltaram a funcionar, sendo reajustados automaticamente pela central da empresa. O restante exigiu a presença dos técnicos nos locais, pois alguns dispositivos foram queimados pelo pico de energia e necessitaram de reparos.A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em Belo Horizonte informou os seis trens, e os 24 vagões de passageiros que estavam em operação no momento do blecaute pararam nas estações e as portas abriram normalmente, sem maiores problemas, retornando ao funcionamento normal meia hora depois do apagão. De acordo com o capitão Jaime de Paula, coordenador do Centro de Operações do Corpo de Bombeiros em Minas Gerais, foram recebidos apenas cinco chamadas para resgate nos elevadores que ficaram também parados com a falta de energia.?Em relação a esse tipo de problema, os bombeiros não tiveram muito trabalho, pois antes mesmo de chegarem aos locais para o atendimento as ocorrências eram resolvidas. Ou pelos próprios porteiros dos prédios ou apenas pela normalização do fornecimento de energia elétrica", explicou.O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), apesar de não ter solicitado os serviços dos bombeiros, também ficou sem poder usar o elevador do Palácio da Liberdade e aproveitou para ironizar o governo federal."Apesar de não ter podido usar o elevador naquele momento, fiquei satisfeito em saber que a Cemig foi a primeira concessionária a restabelecer o fornecimento de energia no país e até está ajudando o governo federal no racionamento, enviando energia para Brasília", disse.O governador foi pessoalmente à Cemig verificar com os diretores da Companhia as causas do apagão. Por volta das 14h30min, um novo "distúrbio ocorrido no sistema interligado que abastece de energia elétrica o Estado", conforme a Cemig, voltou a acontecer.Desta vez, apenas quatro semáforos precisaram de reparos, e a paralisação no transporte metroviário durou apenas 17 minutos, segundo a CBTU. Mesmo assim, no final da tarde, as filas no metrô e nos pontos de ônibus dobravam quarteirões, devido ao engarrafamento. A Região Sul do Estado, que recebe energia via Centrais Hidrelétricas de Furnas, foi o último ponto a ser restabelecido.

Agencia Estado,

21 de janeiro de 2002 | 22h36

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